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Quando a telemedicina no Brasil servirá, enfim, aos idosos?

Telemedicina no Brasil

A telemedicina no Brasil tornou-se uma realidade, em especial após a pandemia de Covid-19. É interessante que todos saibam seus benefícios e como funciona, mas será que é capaz de atender de forma eficiente aos idosos?

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Como funciona a telemedicina?

A telemedicina no Brasil é o conjunto de recursos e processos que permitem aos médicos atender pacientes de forma remota e com segurança.

Embora o termo “telemedicina” remeta a alta tecnologia, é praticada a algum tempo (mesmo informalmente) com o uso de recursos tão simples como um celular, seja por voz, mensagens de texto, áudio, vídeos, imagens e afins.

Após a pandemia de Covid-19, caíram as amarras legais impostas pelos conselhos (CFM e CRMs – Conselhos Federal e Estaduais de Medicina) que impediam sua difusão em larga escala.

Na mesma linha, bastou que outros conselhos que regulam profissões como Nutrição e Fonoaudiologia, apenas para citar alguns, passassem a permitir atendimentos remotos; logo a demanda reprimida imediatamente aproximou pacientes dos profissionais de saúde através da internet. É o famoso “o governo ajuda quando não atrapalha”.

Em pouco tempo, a partir computadores caseiros, tablets e celulares, exames passaram a ser laudados remotamente, consultas foram realizadas, assim como a comunicação entre profissionais e pacientes se intensificou. 

O compartilhamento de informações dentro de plataformas, e o armazenamento de dados em nuvem sem precisar guardar arquivos localmente, tornou o histórico de saúde mais próximo dos pacientes. 

Com acesso a informações em tempo real, os médicos podem tomar decisões com maior agilidade e precisão, além de diminuir custos com instalações físicas.

Parece uma revolução, e de fato é, mas será que beneficia a todos como deveria? 

Como funciona a telemedicina no Brasil?

No contexto nacional, o atendimento remoto dependerá (na maioria das vezes) da capacidade dos pacientes de se conectar. 

Nos últimos anos, diversas instituições tem feito esforços ativos para a promoção e disseminação de programas de assistência e cooperação remota em saúde. Isto pode ser extremamente positivo, particularmente em comunidades em que há carência de profissionais.

Mesmo nas cidades, a telemedicina promete aproximar pacientes que tenham dificuldades em se deslocar, e tem chamado a atenção das partes. Mas é essencial frisar que o atendimento remoto não substitui o presencial em todos os casos, e nem sempre será útil sem a presença de algum profissional de saúde para orientar, aferir ou examinar o paciente.

Para que serve a telemedicina afinal?

De fato, a telemedicina deve ser um suporte à medicina tradicional, de forma a dar agilidade e minimizar custos dos tratamentos.

Por exemplo, um clínico geral pode ter suporte remoto de um especialista para executar procedimentos que, de outra forma, o paciente não teria acesso.

Lembre-se que a telemedicina no Brasil, se não for adequadamente utilizada, pode aumentar a carga de trabalho dos profissionais de saúde e comprometer sua capacidade de trabalho, em especial com dispositivos como o Whatsapp e demais aplicativos de mensagens instantâneas, que apesar de práticos, são invasivos com relação à privacidade.

Isto porque uma mensagem não pede licença para entrar, seja em horário de almoço, noturno ou durante os necessários descansos do profissional. Além do mais, a legislação que regula o trabalho do médico (e outras categorias profissionais) exige acertadamente o registro e rastreio de suas condutas, algo que aplicativos gratuitos simplesmente são incapazes de cumprir.

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Telemedicina no Brasil e os idosos

De cada 100 idosos no Brasil, 99 afirmarão, se indagados, que preferem ser atendidos pessoalmente ao invés de usar recursos remotos. É claro que não ter que esperar numa fila hospitalar, minimizando riscos de contaminação, é uma das vantagens da telemedicina. Mas a falta de contato humano é uma dos impedimentos para a popularização da prática.

Na mesma linha, muitos médicos relutam em atender remotamente buscando os maiores rendimentos auferidos nas consultas domiciliares. Estes mesmos médicos, porém, sabendo que não serão remunerados duas vezes, por vezes aceitam “abrir uma exceção” para uma eventual consulta de retorno.

Não escrevo este artigo para fazer críticas, mas para alertar que na medicina presencial ou remota, atendentes e atendidos devem ter foco comum na promoção da saúde; a saúde como fim, nunca a saúde como negócio. A telemedicina no Brasil servirá aos idosos e demais pacientes quando isto, de fato, for uma realidade.

Isto implica em considerar a telemedicina como recurso sempre que uma consulta presencial não seja estritamente necessária, mas não abrir mão da necessária empatia e confiança que sustenta a relação médico-paciente, sabendo que encontros presenciais não deixarão de ser necessários.

Outrossim, muitas famílias não hesitam em levar seus idosos a hospitais, nem sempre por motivos justificáveis, o que não incomum os expõe a riscos desnecessários e tornam corriqueiras histórias de internações por motivos simples (e questionáveis) que acabam em algum fato mais grave).

Nosso artigo que tratou sobre pneumonia em idosos (porque cuidadores e familiares devem manter a atenção) trouxe a entrevista da geriatra Anne Cardoso que fez suas excelentes contribuições sobre o tema. Recomendo a leitura.

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Qual a principal diferença entre telessaúde e telemedicina?

Esta dúvida foi enviada por nossos leitores. Respondo: não há diferença entre os termos do ponto de vista técnico. Do ponto de vista prático, a telemedicina é tratado como uma categoria dentro da telessaúde, que abrange qualquer procedimento relacionado à saúde (feito remotamente por médicos ou não).

Conclusões

A telemedicina no Brasil pode ser uma aliada de idosos, familiares e cuidadores como recurso adicional (e poderoso) ao sistema de saúde tradicional, desde que seja utilizada da maneira adequada e com responsabilidade por todas as partes.

Adriano Colodette Machado
Adriano Colodette Machado
Fundei a Acvida em 2012 após uma necessidade familiar. Por mais de doze anos, minha avó paterna, Dona Benedita, precisou de acompanhamento por cuidadores. Nossa família encontrou todo tipo de dificuldade para atendê-la: pequenos furtos, profissionais pouco qualificados, até maus tratos. Não foi fácil. Mas contornamos os problemas e conseguimos oferecer a ela todo o carinho e conforto que merecia. Percebi uma demanda reprimida por serviços profissionalizados, e com minha experiência em negócios (desde 2003) criei a Acvida. No Blogdocuidado vou compartilhar essa bagagem com nossos leitores. Espero que gostem ;-)

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