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A pneumonia em idosos: por que devemos manter a atenção?

Pneumonia em idosos

A pneumonia é uma das doenças mais temidas na terceira idade. Ela é caracterizada por um processo infeccioso nos pulmões, causado em geral por bactérias e vírus. A pneumonia em idosos é, infelizmente, um transtorno frequente. Mas pode ser prevenida desde que estejamos atentos.

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Para que você saiba mais sobre como prevenir, identificar e tratar a pneumonia em idosos, fique de olho nas dicas que reunimos para a publicação de hoje.

O que leva uma pessoa a ter pneumonia?

O avanço da idade reduz as defesas naturais do organismo, processo chamado de imunossenescência. Outros fatores também são predisponentes para pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em idosos.

Fatores de risco para pneumonia em idosos

  • Tabagismo
  • Disfagia orofaríngea
  • Alimentação inadequada ou desnutrição
  • Sarcopenia
  • Baixo peso ou perda recente de peso
  • Uso prévio de antibiótico
  • Imunossupressão
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica
  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Insuficiência renal
  • Doença hepática crônica
  • Hipertensão arterial
  • Asma
  • Problemas cardíacos
  • Diabetes
  • Câncer
  • Doenças neurológicas e psiquiátricas (acidente vascular encefálico, demência, doença de Parkinson, depressão)
  • Uso de medicamentos com efeitos sedativos
  • Antipsicóticos
  • Anticolinérgicos e opióides
  • Alcoolismo
  • Tubos nasogástricos (sondas)
  • Cirurgia recente
  • Declínio funcional
  • Fragilidade
  • Infecção pelo vírus influenza e outros vírus respiratórios
  • Contato direto e frequente com outros idosos que têm a doença (como em casas de repouso e outras instituições de moradia para a terceira idade)
  • Necessidade frequente de hospitalização
  • Internação por PAC nos últimos 2 anos

Pergunte ao especialista

A Dra. Anne Freitas Cardoso (@geriatraemcasadf), geriatra da clínica Neuroprime (envie um e-mail ou clique para ligar 6133476012), traz mais detalhes sobre a pneumonia em idosos. Leia na íntegra abaixo e acompanhe ao final a entrevista do pneumologista Ricardo Martins à TV Senado.

Acompanhe mais dicas de médicos e especialistas em nossa seção Pergunte ao Especialista.

Como identificar a pneumonia em idosos

Qual a importância do diagnóstico precoce no tratamento de um quadro de pneumonia em idosos?

Dra. Anne: O diagnóstico precoce é importante para que o tratamento seja mais efetivo, haja vista que, quanto mais tardio é feito esse diagnóstico, maior tende a ser a gravidade do quadro.

Quais os sintomas de pneumonia no idoso?

Os sintomas clássicos de pneumonia (tosse, febre, falta de ar) podem não estar presentes nos idosos.

Portanto devemos sempre aventar essa hipótese diagnóstica mesmo na presença apenas de sintomas inespecíficos como confusão mental, distúrbio do humor, incontinência, inapetência (perda de apetite), perda de peso, declínio da capacidade funcional, piora de alguma doença crônica prévia, síncope e quedas.

Quais as principais diferenças observadas ao longo da vida, com relação ao risco de se contrair pneumonia, num adulto saudável, num idoso com mais de 60 anos e naqueles com mais de 80 anos? Há grupos considerados de risco?

Dra. Anne: A incidência de pneumonia aumenta com a idade. Existe um grande número de fatores que predispõem o idoso a ter pneumonia.

À medida que o indivíduo envelhece, as modificações fisiológicas que o envelhecimento ocasiona nos sistemas respiratórios e imune deixam o geronte (idoso) mais suscetível à infecção bacteriana em decorrência da redução da função dos neutrófilos e expressão do neutrófilo CD16 e da fagocitose.

Apesar da diminuição da capacidade vital, da atividade mucociliar e da resposta imune, o envelhecimento não é fator de risco isolado para pneumonia.

Pacientes considerados do grupo de risco incluem aqueles com: deficiências imunológicas, esplenectomia ou disfunção esplênica, transplante renal, anemia falciforme, lúpus eritematoso disseminado, síndrome nefrótica, além dos fatores de risco já citados.

Há diversos relatos de idosos que necessitam permanecer internados em hospitais, por outros motivos, mas que durante a internação desenvolvem um quadro de pneumonia. Porque, infelizmente, estes não são casos isolados? Como diminuir os riscos de que isto aconteça?

Dra. Anne: As pneumonias nosocomiais (hospitalares) são cerca de 8 a 10 vezes mais frequentes nos indivíduos maiores de 70 anos e representam aproximadamente 20% das infecções hospitalares entre os idosos.

Intubação endotraqueal com ventilação mecânica implica no maior risco para pneumonia adquirida no hospital.

Em pacientes que não estão intubados, fatores de risco envolvem tratamento antibiótico anterior, pH gástrico elevado (decorrentes de terapia com bloqueadores H2 ou inibidores da bomba de prótons) e coexistência de insuficiências cardíaca, pulmonar, hepática e renal, o que se torna muito mais comum com o avançar da idade.

Além disso, têm maior risco pacientes com dentes em mau estado de conservação e aqueles com doenças neurológicas (demência, doença de Parkinson, acidente vascular encefálico) ou rebaixamento do nível de consciência, que podem evoluir com pneumonia aspirativa no decorrer da internação hospitalar.

As principais medidas preventivas são:

Manter decúbito elevado (30 a 45 graus), adequar diariamente o nível de sedação e teste de respiração espontânea, aspirar a secreção subglótica rotineiramente (para pacientes intubados), fazer a higiene oral com antissépticos (clorexidina 0.12%), fazer uso criterioso de bloqueadores neuromusculares, dar preferência por utilizar ventilação mecânica não-invasiva.

Há dificuldades adicionais para evitar a pneumonia em idosos com Alzheimer ou outros tipos de demência?

Dra. Anne: Sim. O risco de pneumonia aumenta em pacientes com qualquer tipo de demência em fases avançadas, pois geralmente eles evoluem com disfagia e engasgos, podendo apresentar pneumonias aspirativas com maior frequência.

Além disso, a disfagia comumente leva a uma menor ingesta de alimentos e nutrientes, podendo ocasionar perda ponderal, sarcopenia e fragilidade, fatores de risco adicionais para a ocorrência de pneumonias.

A broncoaspiração (aspiração involuntária de alimentos pelas vias respiratórias) pode levar a quadros graves, como uma pneumonia por aspiração. Como reconhecer e evitar tais situações, que podem se iniciar de forma assintomática?

Dra. Anne: A aspiração de secreção para o parênquima pulmonar resulta em pneumonia bacteriana e geralmente apresenta evolução aguda, com sintomas após horas ou alguns dias depois do evento sentinela.

A terapia com supressores da acidez gástrica é relacionada ao risco aumentado de pneumonia adquirida na comunidade ou hospitalar, provavelmente devido ao favorecimento do crescimento de bactérias gram-negativas. O cuidado intensivo da cavidade oral e a reabilitação para disfagia reduzem sua incidência.

Vários estudos compilados, em revisão sistemática da Biblioteca Cochraine, demonstraram que nos pacientes com disfagia secundária às demências em fase avançada, a alimentação por sonda nasogástrica, nasoenteral e até mesmo por gastrostomia não previne as aspirações;

Pelo contrário, alguns estudos demonstraram aumento significativo do risco de aspiração em pacientes com alimentação por sonda.

O diagnóstico de pneumonia aspirativa depende da história clínica característica, como macroaspiração testemunhada, presença de fatores de risco e achados compatíveis na imagem do tórax, infiltrados em segmentos pulmonares dependentes de gravidade:

Segmento superior do lobo inferior ou segmento posterior do lobo superior, se o paciente estiver em posição supina durante o evento de macroaspiração; ou segmentos basais do lobo inferior, caso o paciente esteja com a cabeceira mais elevada ou de pé.

Vale ressaltar, que em estágios iniciais da pneumonia aspirativa, a radiografia de tórax pode não apresentar alterações, sendo que estas só serão identificadas pela tomografia de tórax.

Quais condutas devem ser adotadas nas atividades de vida diária (AVDs) dos idosos para diminuir os riscos de se desenvolver pneumonia? Poderia citar exemplos?

Dra. Anne: Além das dicas gerais já apresentadas, cito outras abaixo.

Como prevenir a pneumonia em idosos

  • Manter sempre a cabeceira da cama elevada (como já citado), principalmente para os muito idosos, com funcionalidade reduzida, para aqueles com demência em fase grave ou doença neurológica que aumentem o risco de aspiração
  • Realizar higiene oral adequadamente
  • Adequar a consistência dos alimentos oferecidos para pacientes com disfagia, por exemplo, para os pacientes com disfagia para líquidos, adicionar espessantes para líquidos
  • Permanecer sentado durante as refeições
  • Manter nutrição adequada, evitando alimentos ultra processados e dando preferências para alimentos naturais e vegetais ricos em nutrientes
  • Realizar exercícios físicos regularmente, quando possível, para reduzir o risco de sarcopenia e fragilidade, fatores de risco para pneumonia e outras infecções
  • Evitar o uso de medicamentos sedativos, anticolinérgicos ou inibidores da acidez gástrica, principalmente sem prescrição médica
  • (Sugestão Acvida Cuidadores) Livrar-se do alcoolismo e do tabagismo
  • (Sugestão Acvida Cuidadores) Realizar as vacinações antigripais e antipneumônicas recomendadas – conheças as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) para 2020/2021. Clique aqui para baixar
  • (Sugestão Acvida Cuidadores) Atenção para aumentar a imunidade do idoso, em especial no caso de indivíduos com doenças crônicas ou comorbidades
  • (Sugestão Acvida Cuidadores) Tratar corretamente e com muita disciplina outras doenças respiratórias, tais como gripes, resfriados, rinites, sinusites, bronquites e afins

Tratamento para pneumonia

Como tratar a pneumonia em idosos

Quais as condutas mais utilizadas para o tratamento da pneumonia em idosos?

Dra. Anne: As medidas de suporte são imprescindíveis para o tratamento adequado da pneumonia em idosos.

O que é bom para curar pneumonia?

É importante garantir a hidratação, a nutrição e a oxigenação, como também preservar as funções cardiovascular e renal dos pacientes.

Um dos principais objetivos da terapia é a erradicação do organismo infectante, com resultante resolução da doença clínica. Por isso, o uso dos agentes antimicrobianos constitui o pilar do tratamento. Inúmeros estudos demonstraram que, quanto mais precocemente for iniciada a antibioticoterapia, menor a mortalidade.

O paciente com PAC deve ser avaliado quanto à gravidade da doença para ajudar na decisão do local (domicílio, enfermaria ou UTI) e tipo de tratamento. De acordo com a gravidade, oxigenioterapia também pode ser necessária.

Gostaria de dar alguma dica ou orientação para os cuidadores de idosos dependentes e suas famílias?

Dra. Anne: Mantenham os idosos ativos, forneçam nutrição de qualidade com consistência adequada em caso de disfagia. Hidratem os idosos, pois desidratação é uma das principais causas de descompensações clínicas nos pacientes de idade avançada.

Lembrem-se de manter a cabeceira da cama elevada; higienizem bem a cavidade oral após as refeições; tomem cuidado com medicamentos sedativos; evitem automedicação; mantenham acompanhamento regular com médico geriatra de sua confiança.

Quanto tempo demora para curar pneumonia em idosos?

(Respondido pela equipe da Acvida Cuidadores) Os sintomas podem melhorar alguns dias após o início do tratamento, mas não quer dizer que a infecção tenha sido curada. A aderência ao tratamento é essencial para seu sucesso, por isso, reforçamos a importância de manter estreito contato com seu médico.

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Finalizamos com a entrevista do pneumologista Ricardo Martins à TV Senado, vale a pena assistir.

Adriano Colodette Machado
Adriano Colodette Machado
Fundei a Acvida em 2012 após uma necessidade familiar. Por mais de doze anos, minha avó paterna, Dona Benedita, precisou de acompanhamento por cuidadores. Nossa família encontrou todo tipo de dificuldade para atendê-la: pequenos furtos, profissionais pouco qualificados, até maus tratos. Não foi fácil. Mas contornamos os problemas e conseguimos oferecer a ela todo o carinho e conforto que merecia. Percebi uma demanda reprimida por serviços profissionalizados, e com minha experiência em negócios (desde 2003) criei a Acvida. No Blogdocuidado vou compartilhar essa bagagem com nossos leitores. Espero que gostem ;-)

6 Comments

  1. Jeova Jesus Monteiro disse:

    Bom dia: vamos tendo mais, conhecimento sobre como ajudar na prevenção d doenças
    muito importante sobre saúde .

  2. Nossa na verdade todos os órgão causa a penemunia. E todas as doenças k existe fica muito vago conseguir saber na real como prevenir. Só falta agora um arranhão causar pneumonia

  3. JANICI THEREZINHA SANTOS disse:

    Ola sou enfermeira gerontologa, gostaria de controbuir com relatos de casos, entre outras experiênicas.

    SE

    • Adriano Colodette Machado disse:

      Olá Janici, como vai?
      Muito obrigado por seu contato. Ficamos empolgados com seu interesse em participar do Blogdocuidado. Estamos totalmente abertos à participação de qualquer um que possa contribuir para a saúde e bem estar de idosos e pessoas dependentes. Mandei para seu e-mail mais detalhes, e em breve faremos uma postagem explicando a todos.  

      Resumo aqui o processo: o primeiro passo é nos enviar uma apresentação pessoal (um parágrafo é suficiente) para que possamos apresentar ao comitê responsável pelos conteúdos. Mande também um primeiro texto para que possamos avaliar.

      Será um prazer contar contigo nesta empolgante jornada, espero que este este seja o primeiro de muitos passos que daremos juntos. 

  4. Gostei do assunto de sua publicação, gostaria de ver se é pertinente de divulgar em meu site que é:

    http://www.planosdesaudehdm.com.br

    Sds.
    Hermes Dagoberto

    • Editorial Acvida disse:

      Prezado Hermes, nossos artigos podem ser citados desde que exista um link (sem no-follow) para a publicação original. Se houver dúvidas sobre como fazer, fale conosco através do acvida.com.br/contato. Obrigado.

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