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Quando procurar um cardiologista?

Quando procurar um cardiologista

Existe momento adequado para se consultar com um médico cardiologista ou o especialista só deve ser procurado em caso de problemas? No artigo de hoje, esclarecemos quando procurar um cardiologista com foco na saúde do idoso.

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Neste artigo, recebemos os doutores Alexandre Drummond e Alexandre Amaral, cardiologistas da Homecor Atendimento Domiciliar em Cardiologia, para esclarecer as dúvidas enviadas por nossos leitores.

Quando procurar um cardiologista?

Acvida: Quando é o momento correto para se procurar um cardiologista? 

Dr. Alexandre Drumond: Quando falamos em populações saudáveis, com boa atividade física regular e sem história familiar para doença cardíaca, doença vascular cerebral e morte súbita, sugerimos a idade de 35 a 40 anos para marcar sua primeira consulta com um cardiologista.

Importante frisar que deve-se procurar um cardiologista, independente da idade, sempre que se apresentar sintomas como desconforto no peito, falta de ar, tonturas e/ou desmaio. 

Grupos especiais, compostos por pacientes em cuidados domiciliares (em grande parte idosos ou pessoas com dificuldade de mobilização), devem sempre ser avaliados por um cardiologista em domicílio com a realização do exame eletrocardiograma.

Acvida: Há diferenças entre homens e mulheres sobre quando procurar um cardiologista?

Dr. Alexandre Drumond: As doenças cardiovasculares nas mulheres passaram ser a principal causa de morte, à frente do Câncer de Mama, Útero e Ovário.

Aumento na expectativa de tempo de vida, maus hábitos alimentares e sedentarismo contribuem bastante para isso.

Chama atenção o fato dos sintomas da síndrome isquêmica aguda costumarem ser atípicos e facilmente confundidos (associados) a outros problemas de saúde, como síndrome dispéptica (gastrite), ansiedade e menopausa.

Em razão disso, as mulheres podem ter suas queixas não valorizadas em um ambiente de emergência, sem a devida investigação para o tratamento adequado e imediato.

Acvida: Quais as principais diferenças observadas ao longo da vida, por exemplo, entre um adulto saudável, um idoso com mais de 60 anos e os super idosos (mais de 80 anos) do ponto de vista da saúde do coração?

Dr. Alexandre Drumond: A medida que envelhecemos, nossas artérias e arteríolas se tornam menos elásticas e não conseguem relaxar tão rapidamente durante o bombeamento cardíaco.

Esse aumento na resistência vascular periférica aumenta a força necessária (contração ventricular) para a ejeção aórtica de sangue (sístole), com o consequente aumento do nível da Pressão Arterial Sistólica (PAS) e o aumento da espessura do músculo cardíaco (Hipertrofia Ventricular Esquerda – HVE).

Alterações que ocorrem nas artérias do idosos, mais especificamente em seu revestimento interno (endotélio) podem levar ao aumento da prevalência das placas de gordura (aterosclerose) presentes nas cardiopatias isquêmicas.

Verifica-se também um aumento significativo na incidência das arritmias atriais, dentre as quais as mais temidas são a Fibrilação Atrial e/ou o Flutter atrial, frequentemente associados aos Acidente Vascular Cerebral cardio embólico.

Alterações no sistema de condução elétrico cardíaco podem levar à necessidade de um implante de marcapasso cardíaco.

As doenças valvares em idosos são comumente relacionadas a sintomas como falta de ar, dor no peito e desmaios, estes últimos também associados à disautonomia do sistema nervoso autônomo (simpático/parassimpático) afetando as funções involuntárias que ajudam a coordenar.

É importante salientar que a linha entre o fisiológico e o patológico muitas vezes é tênue, daí a importância do acompanhamento por um especialista. 

Dr. Alexandre Drumond, cardiologista

Exames do coração

Acvida: Qual a importância de se realizar o eletrocardiograma (ECG)? No que consiste o exame?

Dr. Alexandre Drumond: Importante pergunta! Frequentemente pacientes me questionam o porquê de se realizar o ECG, pois a grande maioria das vezes ele se apresenta dentro dos parâmetros normais.

Respondo que o eletrocardiograma é uma grande ferramenta de auxílio complementar às informações médicas coletadas (anamnese e exame físico), sendo esse um exame rápido, de baixo custo e móvel, podendo ser inclusive realizado pelo próprio cardiologista durante o atendimento domiciliar.

Consiste em um exame que avalia a atividade elétrica do coração por meio de eletrodos (colocados externamente) em punhos, tornozelos e tórax. Ele capta a energia do próprio organismo, portanto totalmente indolor e sem sustos.

Vou exemplificar com um caso comum: paciente apresenta dor torácica e falta de ar, procura o seu cardiologista que após a consulta realiza o ECG.

Nesse caso, veremos que o eletrocardiograma pode identificar alterações fundamentais que mudam totalmente a hipótese diagnóstica, o tratamento em questão e obviamente o prognóstico, muitas vezes salvando vidas!

Um eletrocardiograma apresentando alterações sugestivas para isquemia aguda, ou infarto agudo do miocárdio, nos indicaria a imediata necessidade de remoção para emergência hospitalar, com encaminhamento para a cineangiocoronariografia (cateterismo).

Ao passo que esse mesmo paciente com dor torácica e dispneia poderia ter, em seu eletrocardiograma, alterações sugestivas de sobrecarga ventricular direita com sinais indiretos para aumento de câmaras cardíacas, fazendo do tromboembolismo pulmonar (TEP) a principal suspeita diagnóstica. Neste caso, indica-se a imediata remoção para emergência médica.

Como estamos falando basicamente de avaliação em idosos (muitas vezes até dos super idosos), o eletrocardiograma com sinais de sobrecarga ventricular esquerda, associado ao sopro de ejeção sistólica em foco aórtico com irradiação para pescoço (artérias carotídeas),  praticamente fecharia um diagnóstico de estenose aórtica grave ou até mesmo crítica, restando somente a confirmação pelo exame de ecocardiografia.

O diagnóstico de uma estenose aórtica grave ou crítica em um paciente sintomático é de extrema importância, tendo em vista que o risco para morte súbita é muito frequente nesses casos, sendo relevantemente reduzido após intervenção cirúrgica do tipo troca valvar, a qual já se pode realizar sem a necessidade de abrir o peito, com intervenção por cateter (TAVI).

Acvida: Existem exames cardiológicos que devem obrigatoriamente constar no rol da terceira idade? Com que frequência devem ser realizados?

Dr. Alexandre Amaral: Com a idade temos um certo envelhecimento do sistema cardiovascular, sendo assim temos que manter atitudes para prevenir as doenças cardíacas.

Além dos bons hábitos físicos, alimentares e emocionais, temos que realizar alguns exames obrigatórios nos idosos. Isso deve se manter em uma rotina bianual, respeitando a particularidade de cada paciente e suas co-morbidades, ficando assim a critério do médico assistente (cardiologista) a indicação e do tempo entre cada avaliação.

Entre os exames cardiológicos indicados para idosos, estão incluídos

  • Eletrocardiograma (ECG) com 12 derivações;
  • Teste Ergométrico ou Teste de Esforço (TE) – respeitando as limitações individuais (físicas, motoras e ou cognitivas) para a realização do mesmo;
  • Ecodopplercardiograma colorido, onde será feita avaliação da estrutura cardíaca por meio de um ultrassom, avaliando músculo, câmaras cardíacas, valvas cardíacas, função e vasos correlatos.
  • Doppler colorido das Artérias Carótidas e Vertebrais, exame de ultrassom que possibilita avaliar a anatomia e circulação destas artérias, além da presença de doença aterosclerótica (placas de gordura) e o riscos associados a estas.

Alguns outros exames podem ser realizados como complementação da avaliação do cardiologista, tal qual o MAPA 24h (avaliação da Pressão Arterial), o MRPA (avaliação da pressão arterial residencial),  o HOLTER 24h (avaliação do ECG de 24h para excluir arritmias cardíacas) entre outros, a critério de cada caso.

Teste de esforço em idosos

Acvida: O que é e quando é indicada a realização de um teste cardiopulmonar em idosos?

Dr. Alexandre Amaral: O Teste Cardiopulmonar de Exercício (T.C.P.E. – ou Ergoespirometria) é o exame que possibilita a análise de diversas variáveis da ventilação (pulmonar) e circulação (cardiovascular). Além das informações obtidas no Teste Ergométrico, temos as informações relacionadas a ventilação.

Seguem exemplos de doenças e alterações diagnosticadas com o TCPE:

  • DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica)
  • Asma do exercício
  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Doença arterial cardíaca
  • Incapacidade ao exercício.

Nas doenças crônicas e graves, pode ser utilizado para decisão do momento cirúrgico do paciente, como no transplante cardíaco.

Nos pacientes atletas e ativos, faz-se a avaliação dos limiares ventilatórios, onde conseguimos melhorar a forma e intensidade dos treinamentos e melhora de performance.

Principais doenças cardiovasculares em idosos

Acvida: Quais são as principais doenças cardíacas que acometem a terceira idade? Quais são suas consequências para a saúde?

Dr. Alexandre Drumond:

  • Hipertensão Arterial Sistêmica, a popular “Pressão Alta”, podendo evoluir para Insuficiência Cardíaca Fração de Ejeção Normal (ICFEN) e Insuficiência Cardíaca Fração de Ejeção Reduzida (Insuficiência Cardíaca Sistólica). 
  • Aneurismas de aorta abdominal e/ou Torácico
  • Doença aterosclerótica coronariana podendo se apresentar na forma de angina estável, angina instável ou infarto agudo do miocárdio
  • Arritmias atriais (fibrilação atrial / flutter atrial) podendo evoluir para formação de trombos (coágulos) dentro das câmaras atriais e cursando com embolizações para órgãos, entre eles o cérebro (AVC Cardio embólico) 
  • Miocardiopatia hipertrófica 
  • Miocardiopatia dilatadas de diversas etiologias 
  • Doenças valvares degenerativas – sendo a estenose aórtica de grande prevalência e quando manifestado com sintomas como dor no peito (angina), falta de ar ou desmaios, tem-se os critérios de mau prognóstico e maior risco de morte súbita 
  • Insuficiência cardíaca sistólica progressiva com quadro de falta de ar progressiva; com o passar do tempo, pode evoluir para inchaço corporal ascendente progressivo (pés, tornozelos, pernas e barriga) e algumas vezes morte súbita por arritmia ventricular.

Quais são os fatores de risco para as doenças cardiovasculares?

Acvida: Quais problemas podem ser prevenidos com o acompanhamento constante do idoso pelo médico cardiologista?

Dr. Alexandre Amaral: Existem quatro fatores de risco para desenvolver a doença arterial coronariana significativa (que causa o Infarto agudo do miocárdio ): a hipercolesterolemia (lipídeos aumentados), hipertensão arterial, diabetes mellitus ou o tabagismo.

Estes, com o acompanhamento regular do cardiologista, podem ser controlados, diminuindo assim o risco cardiovascular do paciente.

Cuidados com insuficiência cardíaca

Acvida: Em termos gerais, quais cuidados devem ser dispensados aos idosos com demência e (cumulativamente) limitações cardíacas?

Dr. Alexandre Amaral: Em todos os pacientes com necessidades especiais ou P.N.E., principalmente os idosos, temos que ter uma visão ampla do ponto de vista cardiovascular, com uma avaliação diferenciada e com intervenções individualizadas.

Na grande maioria são portadores de comorbidades (Hipertensão, Diabetes, Colesterol Alto, etc…), aumentando assim o risco de desenvolver complicações cardiovasculares.

Acompanhar a pressão arterial, frequência cardíaca e oximetria (se for o caso) é importante, além de fazer consultas regulares (no mínimo 2 vezes por ano) com o cardiologista, avaliando individualmente as alterações e possíveis limitações.

Doenças cardiorrespiratórias em idosos

Acvida: Muitos idosos ficam com a qualidade de vida prejudicada em função de problemas cardiorrespiratórios. Em que condições um programa de exercícios, mesmo quando iniciado tardiamente, pode contribuir para estabilizar ou até reverter este quadro?

Dr. Alexandre Amaral: Os estudos têm sido conclusivos em relação aos benefícios da Reabilitação Cardiovascular Pulmonar e Metabólica (RCPM), com redução significativa da morbi-mortalidade e melhora da qualidade de vida dos pacientes submetidos a esta terapia.

Há benefícios mesmo para os indivíduos com obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, síndrome metabólica, doenças arteriais obstrutivas crônicas, doenças cerebrovasculares, pulmonares e metabólicas.

É essencial uma avaliação de risco individual, sistemática, para a prescrição das mudanças necessárias (no estilo de vida) e do exercício físico.

Quais os cuidados com o idoso cardíaco

Acvida: Quando o idoso com problemas cardíacos deve ser proibido de realizar atividades físicas?

Dr. Alexandre Amaral: Em princípio, ninguém está completamente proibido de realizar atividade física. Devemos sempre fazer avaliações periódicas para calcular o risco cardiovascular pulmonar, para assim individualizamos a atividade a ser realizada, tanto na sua frequência, quanto na carga (intensidade) e no tempo de duração.

Muito importante estar sempre em dia com os seus exames de rotina.

Aspirina faz bem para o coração?

Acvida: A automedicação, infelizmente, é uma realidade no Brasil. Neste sentido, muitos idosos tomam aspirina regularmente esperando melhorar a saúde. Quais os benefícios e os riscos desta prática?

Dr. Alexandre Amaral: Como relatado acima, a automedicação sempre será arriscada e não deve ser estimulada.

Sendo assim, o que podemos afirmar é que a aspirina na cardiologia é muito importante na prevenção do risco cardíaco (Infarto Agudo do Miocárdio – IAM ou Acidente Vascular Cerebral – AVC) naqueles pacientes de alto risco avaliados pelo cardiologista.

Lembrando que nenhuma medicação é inócua (inofensiva ou sem efeitos colaterais) e um simples AAS pode, por exemplo, desencadear asma brônquica ou hemorragias digestiva.

Dicas para a terceira idade

Acvida: Gostaria de dar alguma dica ou orientação para os cuidadores de idosos dependentes e suas famílias?

Dr. Alexandre Amaral: Nosso corpo é reflexo do que fizemos ao longo da vida.

Cuidar da alimentação e muito importante, deve-se evitar ao máximo o consumo de produtos industrializados, ricos em gorduras, açúcares e conservantes, contribuindo assim para a diminuição de doenças que aumentam o risco cardiovascular (diabetes, dislipidemia, dentre outras)

Estimular a prática de atividade física é uma boa dica, sempre respeitando a individualidade de cada paciente. Ter bons hábitos de sono, com horários certos e regulares para se deitar e dormir, evitando estímulos visuais (TV, celular, entre outros) também é importante.

Agradecimentos

A Acvida Cuidadores agradece a gentileza da Homecor Atendimento Domiciliar em Cardiologia por nos disponibilizar os cardiologistas Alexandre Amaral e Alexandre Drumond para tirar as dúvidas enviadas por nossos leitores.

CONTATOS DA EMPRESA: www.homecor.com.br, telefone (61) 3550-7429, e-mail [email protected].

Editorial Acvida
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