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Demência no idoso

Demência no idoso

O principal sintoma da demência no idoso é a falha da memória, embora outros sinais possam aparecer com o avançar da doença. Conheça quais são e os principais problemas que tornam o idoso dependente.

Demência é um termo usado para uma série de manifestações que ocorrem em um indivíduo por causa da degradação cerebral. A principal manifestação é a falha de memória.

Outras características podem aparecer com o avançar da doença, como mudança no comportamento e na personalidade e perda da capacidade de realizar atividades corriqueiras da vida diária.

Várias condições podem causar demência, como Doença de Alzheimer, acidentes vasculares cerebrais (derrames), traumatismos que lesionam o cérebro, hidrocefalia, hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12 e outras. Entre elas, a mais frequente é a Doença de Alzheimer, seguida do derrame cerebral.

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Sintomas de Alzheimer em idosos

No Alzheimer ocorre uma deterioração do tecido cerebral de forma progressiva e irreversível. O que se trata são os quadros associados à doença, como ansiedade, agitação, agressividade e depressão.

O médico faz o diagnóstico da Doença de Alzheimer com base nas manifestações clínicas do idoso, que se iniciam pelo déficit de memória, que piora gradativamente, comprometendo a capacidade de se autocuidar, administrar a rotina diária, funções cotidianas e financeiras.

O Alzheimer se apresenta em quatro estágios: no primeiro, a memória começa a dar sinais de comprometimento e, geralmente, não são percebidos por familiares ou levados a sério; no segundo estágio, as oscilações de memória ficam mais frequentes, comprometendo a segurança do idoso (esquecer o gás ligado, panela no fogo, pagamento de contas)

As características dos pacientes com demência

Surge a desorientação de espaço e tempo (não saber onde está e qual o dia, mês ou ano), a dificuldade para desenvolver tarefas do dia a dia e os transtornos de humor e ansiedade; no terceiro estágio, o quadro de desorientação e agitação se agravam, comprometendo o reconhecimento de familiares e gerando comportamento inapropriado, alucinações e perambulações; no quarto estágio, a dependência total se instala, há prejuízos severos na comunicação e há perda no controle de esfíncteres, deixando a pessoa incontinente (fecal e urinária) e com dificuldade para engolir alimentos e líquidos.

O comprometimento cerebral decorrente de acidente vascular cerebral (derrame) é chamado de Demência Vascular. O derrame pode ser ocasionado por tromboses, hemorragias e pressão arterial descompensada.

Todos esses problemas podem levar a uma interrupção do suprimento sanguíneo a uma região cerebral, causando a morte do tecido e, consequentemente, uma perda de função das capacidades inerentes àquela região que foi acometida. Nem todos os derrames cerebrais causam demência.

  • Apenas doentes acamados por Alzheimer serão totalmente dependentes de cuidados básicos.
  • O mal de Alzheimer afeta o gênero masculino e o feminino.

Parkinson causa demência no idoso?

Há casos em que a parte motora pode ser afetada, enquanto a capacidade cognitiva fica preservada. Mas quando a demência é instalada decorrente de um AVC, os prejuízos de cognição e memória acontecem e podem ser irreversíveis.

Nesses casos, as manifestações podem ser semelhantes às presentes na Doença de Alzheimer e os cuidados também serão parecidos.

Sintomas de Parkinson

A doença de Parkinson também pode levar à demência. É uma doença progressiva e degenerativa com prejuízos que se refletem na atenção, memória, cognição, função motora (tremores) e linguagem, levando a alterações de comportamento, depressão e alucinações.

As principais características iniciais acometem o sistema motor por lentidão de movimentos, rigidez muscular e tremores. A demência não é uma regra para todos os doentes de Parkinson, mas pode ser uma manifestação do avançar da doença e, em alguns casos, pode haver coexistência da doença de Alzheimer.

Outras condições podem desenvolver a demência e, consequentemente, ocasionar dependência. Para levar à demência, a doença precisa causar lesão cerebral pela produção de uma substância que destrói os neurônios (Lewy, Alzheimer, Demência Frontotemporal), pela falta de suprimento sanguíneo (tromboses, derrames, hemorragias cerebrais), pela falta ou excesso de determinado componente essencial à manutenção do sistema nervoso central (vitamina B12, hidrocefalia, hipotireoidismo), por causas genéticas (Doença de Huntington), causas infecciosas (Creutzfeldt-Jakob, sífilis, cisticercose, AIDS) e alcoolismo.

  • A doença de Parkinson a longo prazo promove demência.

Doenças cardiovasculares em idosos

Fazem parte do grupo de doenças cardiovasculares todos os agravos que comprometem o funcionamento do coração (infartos, arritmias, insuficiência cardíacas, anginas, endocardite) e do sistema circulatório, que canaliza o sangue para todo o corpo (arteriosclerose, aterosclerose, hipertensão, aneurismas e derrames).

Uma hipertensão pode exigir desde cuidados mais simples, como controle do sal, aferição da pressão arterial e uso de medicamentos, até a supervisão ou intervenção mais constante por incapacidade do assistido de se autocuidar ou diante de uma consequência séria da descompensação da doença (infarto, AVC).

Manter todos os cuidados conforme as indicações médicas e de outros profissionais de saúde auxilia a rotina e as atividades do cuidador e contribui para a promoção da saúde e prevenção da evolução da doença.

Também faz parte dos cuidados estar atento a sinais importantes, como falta de ar, edemas nos membros inferiores, palpitações, desmaios, dor no peito, indigestão, náuseas e vômitos, aumento e diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial, cansaço aos mínimos esforços e até mesmo a parada cardíaca e respiratória.

Ter um problema cardíaco ou vascular não necessariamente compromete a autonomia e o autocuidado por parte de uma pessoa. Entretanto, a perda da capacidade funcional devido a outro problema de saúde (demência), outra doença no coração ou outro órgão importante ao mesmo tempo (diabetes, problema pulmonar) ou uma consequência da própria doença principal podem, isolada ou conjuntamente, causar prejuízos sérios à saúde.

Apesar disso, deve-se ter bastante cautela para limitar as atividades diárias. O melhor é respeitar as indicações dos profissionais de saúde e estimular o autocuidado e demais atividades importantes para o idoso, considerando suas condições.

Doenças Degenerativas

São doenças que podem se desenvolver ao longo da vida, desencadeada por hábitos, por outras doenças ou por causas genéticas. São chamadas degenerativas porque levam o próprio organismo a produzir mecanismos que prejudicam o seu funcionamento ou destroem tecidos, sistemas ou órgãos.

Algumas doenças cardíacas, vasculares, metabólicas e autoimunes podem ser classificadas como degenerativas, pois causam lesões progressivas aos sistemas no curso do seu desenvolvimento. Fibrose Cística é uma doença genética que causa produção em excesso de tecido fibroso em vários órgãos e compromete principalmente os pulmões e o pâncreas.

Uma das principais consequências dessa doença é a desnutrição pela degeneração do pâncreas e as infecções pulmonares recorrentes. Mesmo com um diagnóstico precoce e um controle rigoroso, a doença leva a uma incapacidade progressiva, fazendo com que seu portador necessita de cuidados especiais para as atividades da vida diária.

As doenças reumáticas são agravos que podem acometer os músculos, os ossos e os ligamentos. Algumas podem levar a deformidades e incapacidades de movimento. Não há uma manifestação única, e sim um grupo de sintomas ou uma síndrome, que afeta várias partes do corpo por causas inflamatórias, autoimunes, metabólicas e degenerativas.

As doenças reumáticas mais comuns são Artrite Reumatoide, Artrose, Gota e Lúpus. Elas provocam dores articulares e alguns casos apresentam inchaço e deformidade na articulação, prejudicando os movimentos. A Osteoporose não apresenta nenhum sinal aparente, a menos que uma fratura aconteça e os exames evidenciam perda de massa óssea.

A Fibromialgia se apresenta como um conjunto de sintomas que se manifestam frequentemente após problemas emocionais, como dor generalizada, cansaço, alteração de sono e depressão.

Diante desses fatores, o portador da Fibromialgia pode ter alguma limitação, necessitando de auxílio para as AVDs nas fases de manifestação aguda da doença.

A Tendinite é a inflamação nos tendões, causando intensa dor no local acometido, podendo limitar os movimentos. As causas podem ser esforços repetitivos, geralmente por atividades laborais ou domésticas, e, caso a lesão seja limitante, podem demandar suporte para realização do autocuidado.

A Espondilose Lombar afeta a coluna vertebral e algumas articulações do corpo com inflamações dolorosas. A dor piora com o repouso e melhora com o movimento. Pode causar deformidades articulares se não for tratada.

Todas essas doenças podem limitar alguma função e demandar auxílio ou a execução de atividades por parte de uma cuidador, temporária ou permanentemente. Os cuidados serão sempre voltados para promover a qualidade de vida, prevenção da evolução, progressão ou manifestações da doença e incentivo ao autocuidado e autonomia para as atividades diárias possíveis.

Doenças endócrinas

O Diabetes é uma doença metabólica frequente que pode levar a consequências sérias aos órgãos vitais e sistemas funcionais, como lesões no sistema renal e na visão, dificuldade na cicatrização, podendo evoluir para uma amputação de membros, e obesidade, sintomas que podem levar à dependência de cuidados.

Antes de o assistido evoluir para qualquer lesão decorrente da doença, é fundamental pensarmos em prevenção. A alimentação adequada, o uso correto dos medicamentos, atividades físicas e o acompanhamento médico regular são os pilares para o controle da doença e da sua evolução.

A atuação do cuidador junto as atividades diárias pode fazer toda a diferença, pois o cuidador participa direta ou indiretamente de todos os pilares importantes para controlar a doença.

Traumatismos craniano

Os traumatismos podem levar à incapacidade para o autocuidado e atividades diárias importantes dependendo da gravidade da lesão e do local acometido. Os traumatismos podem ter consequências temporárias e o paciente pode se restabelecer e voltar às suas atividades normais após o período de convalescênça determinado pelo médico.

Os traumatismos podem ser provocados por acidentes no trânsito, quedas da própria altura ou de locais mais altos, lesões por objetos cortantes ou armas, queimaduras e outras situações.

Fraturas são muito frequentes ocasionados por traumatismos e podem ocorrer em qualquer parte do corpo que for atingida. Traumatismos cranianos podem provocar lesões irreversíveis e incapacitantes se causarem dano cerebral importante.

Traumatismos do tronco podem causar fraturas nos ossos das costelas, bacia e até da coluna vertebral, o que pode comprometer as funções motoras. Outros órgãos também podem ser afetados dependendo da origem, intensidade e direção do trauma no corpo.

Além de fraturas, podem ocorrer hemorragias (internas e externas), perda da função de um órgão ou até mesmo perda parcial ou total dele.

Os membros podem sofrer fraturas dependendo do tipo de trauma, além de prejuízos a vasos, pele, nervos e tendões. Alguns provocam hemorragias sérias, como perda do membro, infecções graves e até risco de morte.

Todas essas situações podem levar a limitações temporárias ou permanentes e a sua gravidade pode comprometer a capacidade funcional, levando à dependência de cuidados por parte de um terceiro. O papel do cuidador preparado é fundamental na manutenção das funções importantes para a vida e reabilitação.

Camila Izabela de Oliveira
Camila Izabela de Oliveira
Formada em Enfermagem e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília (UnB), tem diversos cursos de especialização em atenção primária e gerontologia. O foco de seu trabalho é na qualidade dos cuidados paliativos e na formação de profissionais cuidadores. Criou um dos primeiros cursos de formação de cuidadores do Brasil com mais de 100 horas/aula, sendo destas mais de 40 ofertadas em estágio supervisionado ou aulas práticas. Também é enfermeira titular da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), onde desenvolve atividades de acompanhamento e suporte à famílias com crianças especiais.

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