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12 erros no cuidado ao idoso

Erros no cuidado ao idoso

Erros no cuidado ao idoso são comuns por parte de cuidadores e familiares. O idoso precisa de atenção constante e, mesmo com boas intenções, podem haver problemas se não se observar boas práticas. A atenção deve ser redobrada durante a pandemia do Coronavírus / Covid-19. Saiba mais.

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Erros ao cuidar de idosos

Em tempos de Coronavírus (Covid-19), a atenção com a rotina, particularmente a higiene, deve ser redobrada, como comenta a geriatra Maisa Kairalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Isso não tem a ver com o idoso ser saudável ou não, como se alimenta ou se faz exercícios: depois dos 60 anos o sistema imunológico vai ficando gradualmente mais comprometido, por isso pessoas acima dessa idade estão no grupo de risco (para o Coronavírus)

Além da saúde física, o cuidador deve se preocupar com todos os aspectos da saúde da pessoa assistida, por isso listamos alguns erros no cuidado ao idoso que são comuns em muitas residências com cuidadores.

Cuidados com o corpo e higiene pessoal

Não prestar a atenção adequada à higiene do cuidador

Em muitas casas, o cuidador é a única pessoa que transita com frequência entre o mundo externo e o interno. Assim, o cuidador deve ser foco de atenção para evitar trazer contaminações à pessoa assistida.

Em particular durante a pandemia de Coronavírus, é importante observar os seguintes pontos (Fonte: condutas de convivência com pessoas do grupo de risco – SBGG):

  • Dormir em camas separadas
  • Utilizar banheiros diferentes ou desinfetá-lo entre cada uso
  • Não compartilhar toalhas, talheres e copos
  • Limpar a casa diariamente
  • Lavar roupas, lençóis e toalhas com maior frequência
  • Realizar os procedimentos de máscara
  • Dormir em cômodos separados (sempre que possível)
  • Manter a casa arejada e ventilada

Da mesma forma, ao chegar na casa do idoso, recomenda-se trocar os calçados ou higienizá-los com soluções antissépticas (com água sanitária, por exemplo), lavar as mãos, trocar de roupa e lavar o rosto (ou tomar banho) e higienizar compras e outros objetos (com água sanitária ou álcool 70%).

Mais detalhes no artigo Coronavírus: o que cuidadores e idosos (familiares) precisam saber.

Exercícios apenas para o fisioterapeuta

O cuidador é a pessoa que passa mais tempo com a pessoa assistida. Por isto mesmo, incorrem em erros no cuidado ao idoso aqueles que deixam o idoso se exercitar apenas na presença do fisioterapeuta ou do profissional de educação física.

Existem exercícios de fisioterapia e atividades físicas que apenas um profissional habilitado pode realizar. Na maioria das vezes, porém, estes profissionais deixam rotinas de exercícios que podem ser devem nas atividades de vida diárias (AVD) do idoso.

Para estes casos, é obrigação do cuidador realizá-las (as rotinas prescritas) e reportar no diário do cuidador (baixe o seu gratuitamente) para acompanhamento da família e dos profissionais.

Deixar que o idoso se movimente

Na mesma linha do item anterior, o cuidador deve prestar atenção para não confundir comodidade com inépcia. Um idoso que tenha tudo na mão não terá estímulos que podem ajudá-lo a manter o físico.

Um simples caminhar para pegar um copo d’água, uma ida à janela para ver se está chovendo ou idas espontâneos ao banheiro (ao invés de usar fralda 100% do tempo) podem ser um bom exercício.

Conversar com o fisioterapeuta pode dar boas ideias sobre como atividades corriqueiras oferecem oportunidades de manter os idosos ativos.

Atenção adequada à alimentação do idoso

Um dos pontos mais relevantes para garantir a saúde de idosos e pessoa dependentes são os cuidados com a alimentação. Muitos cuidadores tentam trazer seus hábitos particulares sem se preocupar com os hábitos ou restrições da pessoa assistida.

O idoso tem restrição ao consumo de sal? Tem restrição ao consumo de doce e açucares? Tem algum tipo de alergia alimentar?

Se existe uma prescriçaõ nutricional, esta deve ser seguida da mesma forma que devem ser seguidas as prescrições de medicamentos. Se não há um nutricionista que oriente a família, o cuidador tem obrigação de conversar com os familiares para saber o que pode ou não ser oferecido ao idoso.

Não deixe de ler nosso artigos sobre a alimentação do idoso, segurança alimentar e como manter a imunidade (com dicas de alimentos para aumentar a imunidade do idoso)

Respeitar o tempo do idoso durante as refeições

Da mesma forma que as habilidades motoras são prejudicadas com a idade, a mastigação, a salivação e a deglutição também tendem a ficar disfuncionais.

Assim, é comum que idosos demorem mais tempo para comer. É função do cuidador garantir que o idoso alimente-se corretamente, e para isso deve ser respeitado o tempo que cada pessoa assistida requer.

Uma tentativa de apressar a refeição pode ocasionar episódios graves como uma bronco aspiração, que pode terminar numa pneumonia.

Uma refeição oferecida de forma muito lenta pode fazer com que o idoso não se alimente da forma adequada, causando uma potencial subnutrição.

Cuidados psicológicos com o idoso

Mentir para obter alguma vantagem

Situação comum no dia a dia de famílias com cuidadores: o cuidador pede um adiantamento de salário, alegando problemas pessoais para justificar o pedido.

Além de desagradável (já que o empregador tem data mensal certa para fazer tal pagamento), esta conduta pode gerar um outro problema: quebra de confiança.

Imagine que o cuidador tenha feito o pedido afirmando que iria comprar medicamentos para um filho doente, mas pelo Facebook o patrão descobriu que, na verdade, o filho estava bem e ambos (cuidador e filho) passaram o final de semana num torneio de futebol.

A quebra de confiança gerada por uma situação como esta pode ser suficiente para motivar uma demissão (mesmo que sem justa causa legal), pois pode ser difícil confiar a vida de um ente querido dependente a alguém que lhe falte com a verdade.

Cuidador: seja honesto e direto para reportar problemas ao seu empregador.

Tratar o idoso como incapaz

Um hábito comum dentre familiares e cuidadores é falar do idoso, na sua presença, em terceira pessoa. “Ele é surdo” ouvi de um familiar certa vez, “Ela tem Alzheimer” me disse outra pessoa, ambas na frente dos idosos que deveriam ser cuidados.

Com estes argumentos, qualquer assunto poderia ser tratado na presença da pessoa assistida, como se ela não estivesse entendendo, como se nunca tivesse personalidade.

Mas e se ela (a pessoa assistida) entender? Como irá se sentir? E o respeito que devemos àquele ser humano, que deve ser prestado mesmo que ele/a não tenha condições de cobrar?

Trate a pessoa idosa como gostaria de ser tratado. Um dia (se Deus quiser), você receberá este mesmo tipo de tratamento.

Infantilizar o idoso

Adjetivos como “Florzinha”, “Queridinha” e “Meu Bem” não são incomuns quando cuidadores se referem a idosos. Acontece que a maioria das pessoas não gosta de ser tratada pejorativamente, e os idosos não são exceção.

Apenas os netos e netas devem chamar seus avós de “vovô” ou “vovó”, nunca o cuidador. Apelidos, então, apenas se o idoso já o tiver antes da presença do cuidador e caso se sinta confortável com este.

Jogos e passatempos também não devem ser insistidos caso não sejam do gosto do idoso. Cuidar de idosos, diferente do que é popularmente dito, não é como cuidar de crianças.

Repassar notícias ruins ou estimular o pânico

O mensageiro pode ser visto tão mal quanto a própria notícia ruim. A velha máxima é verdade também no trato com idosos.

O cuidador deve evitar que notícias ruins (tão comuns na mídia) bombardeiem a pessoa assistida. Não se trata de isolar o idoso da realidade, mas de escolher o que se quer próximo a sua pessoa assistida ou ente querido.

Porque ao invés de dedicar tanto tempo a telejornais (tão carregados hoje em dia), não utilizamos o Youtube para ouvir música clássica gratuita?

Porque ao invés de contar como morreu seu último paciente – por ética profissional, o cuidador não deve nunca comentar de um assistido na frente do outro – o cuidador não fala ao idoso sobre a descoberta de alguma vacina?

Na dúvida, o cuidador deve trazer os tópicos ao conhecimento da empresa (em caso de terceirização) ou aos familiares antes de apresentar ao idoso.

Cuidador de idosos não deve trazer problemas pessoais para o trabalho

Na mesma linha, um cuidador de idosos não deve trazer seus problemas pessoais para a casa da pessoa assistida.

Visualize a imagem de um Shopping Center (bonito, aconchegante, perfeito): este deve ser o cuidador ao se apresentar ao trabalho.

Mas, se porventura o cuidador tiver problemas, leve-os à supervisão da empresa (em caso de terceirização) ou deixe-os do lado de fora da casa de seu idoso. Se o cliente for um psicólogo, por exemplo, o cuidador não deve tentar uma consulta grátis com seu empregador.

Assim como no Shopping, deixe os problemas nos bastidores longe da vista do cliente. Essa é uma das melhores práticas para o cuidador conseguir um emprego duradouro.

Insistir em tarefas que não agregam

Sugerir tarefas para se fazer com o idoso, como arrumar o armário ou organizar fotos antigas, pode gerar ótimas oportunidades para aproveitar o tempo de forma mais útil. Mas fazer isto repetidamente e sem objetivo fica massante e não agrada a ninguém. Inclusive aos idosos.

É importante saber as tarefas que interessam aos idosos antes de tentar incluí-las em suas rotinas. Uma idosa mulher que já fez crochê pode se interessar pelo hobby, mas dificilmente isso vai acontecer com um idoso homem.

Preparar um bolo (mesmo que o idoso só assista) pode ser um bom passatempo se o idoso gostar da atividade. Caso contrário, não.

Conhecer as preferências de seu assistido é essencial para evitar erros no cuidado ao idoso.

Abandonar o idoso

Muitas famílias contratam cuidadores profissionais para não se fazer presentes na vida dos idosos. A verdade, porém, é que o cuidador é um auxílio, mas não um substituto à presença dos familiares.

Ao contratar um cuidador, um dos erros no cuidado ao idoso é achar que a família cumpre suas obrigações apenas por garantir o bem estar físico. Do ponto de vista psicológico e emocional, um ente querido não é substituível.

Familiar: tenha seus cuidadores para prover-lhe mais tempo com seus idosos.

Permitir situações de violência psicológica

Brigas de família na frente do idoso, chantagem para que o idoso gaste seu dinheiro com terceiros (mesmo que familiares), retirar a independência e autonomia que restam ao idoso. Todas são situações que, mesmo sutis, configuram violência psicológica, e como tal, agridem o idoso.

Confira nosso artigo sobre violência contra o idoso e saiba como evitar este e outros tipos de violência.

Adriano Colodette Machado
Adriano Colodette Machado
Fundei a Acvida em 2012 após uma necessidade familiar. Por mais de doze anos, minha avó paterna, Dona Benedita, precisou de acompanhamento por cuidadores. Nossa família encontrou todo tipo de dificuldade para atendê-la: pequenos furtos, profissionais pouco qualificados, até maus tratos. Não foi fácil. Mas contornamos os problemas e conseguimos oferecer a ela todo o carinho e conforto que merecia. Percebi uma demanda reprimida por serviços profissionalizados, e com minha experiência em negócios (desde 2003) criei a Acvida. No Blogdocuidado vou compartilhar essa bagagem com nossos leitores. Espero que gostem ;-)

2 Comments

  1. Sheila Araujo disse:

    Minha mãe tem 72 anos e faz tudo só: toma banho, anda, come…mas não gosta de cozinhar, nem de limpar, nem de lavar. Ela tem lapsos de memória mas não houve ainda um diagnóstico da geriatra, somente que há possibilidade de alguma demência, mas não se sabe ainda qual ao certo. Ela se perde se sair na rua sozinha e toma 6 comprimidos por dia. Eu não sei o que contratar, pois um cuidador acho desnecessário e ao mesmo tempo uma empregada teria que cozinhar, dar os comprimidos, e fazer cia. Eu sou a única pessoa que a ajuda. Não sei o que fazer. Se contratar uma empregada, além do almoço, o que ela fará o resto do dia? O apartamento tem 50 metros e somos 2 pessoas.

    • Editorial Acvida disse:

      Olá Sheila, tudo bem? O cuidador é responsável além dos cuidados básicos com o paciente fazer as atividades domésticas relacionadas ao paciente. Um abraço.

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