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Senescência e senilidade

Senescência e senilidade

Qual a diferença entre senescência e senilidade? O processo de envelhecimento humano é natural e, aqui podemos ver alguns cuidados que cuidadores podem tomar para que idosos envelheçam com mais dignidade.

O que chamamos de velhice natural ou senescência é o envelhecer sem doenças incapacitantes ou condições que não necessariamente afetam todos os idosos. São as alterações orgânicas fisiológicas que ocorrem quando envelhecemos. Existem doenças que são próprias de idosos ou que acometem mais indivíduos mais velhos, mas não são inerentes ao envelhecimento, embora possam ser frequentes.

Chamamos de senilidade algumas condições que afetam os idosos, particularmente as funções cerebrais responsáveis pela memória, raciocínio, controle motor, de esfíncteres e que afetam as atividades de vida diária.

Abaixo trataremos das características do processo de envelhecimento natural ou senescência.

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Sistema Osteomuscular

Com o envelhecimento, músculos e ossos perdem massa, dificultando suas capacidades efetivas. A atrofia muscular provoca a perda do tônus e da força. A massa muscular é progressivamente substituída pelo tecido gorduroso, fenômeno chamado de Sarcopenia. Essa atrofia muscular é generalizada, ou seja, acomete todos os músculos do corpo.IMAGEM

Os ossos são responsáveis pelo armazenamento de cálcio e pelas funções motoras. Em média, o adulto consegue desenvolver massa óssea até por volta dos 35 anos e, após essa fase, o organismo reabsorve essa massa, levando os ossos a um progressivo processo de desenvolvimento de porosidade.

Essa condição é responsável pela osteoporose nos idosos. Numa fase mais avançada, a reabsorção óssea é tão intensa que modifica a fisionomia dos idosos. A reabsorção óssea no maxilar e na mandíbula, por exemplo, faz com que o queixo e o nariz se aproximem.

Esse fato também é o responsável pela degradação e perda dos dentes. As articulações também ficam mais desgastadas e calcificadas com o envelhecimento.

Sistema Circulatório

Há também degeneração do tecido muscular do coração. As paredes de vasos ficam mais rígidas e espessas. O funcionamento do sistema circulatório pode ficar prejudicado e apresentar insuficiência e alterações na pressão arterial.

Sistema Nervoso

A senescência também ocasiona atrofia cerebral e redução dos neurônios. O cérebro perde entre 5% a 10% do seu peso. Essas alterações repercutem na capacidade de memória e raciocínio. O comprometimento do padrão do sono também pode prejudicar a memória e a atenção.

No idoso, a alteração de sono é multifatorial, estando relacionada a doenças cardiovasculares, gastrointestinais, respiratórias, neurológicas, dor e uso de medicamentos. As sensibilidades dolorosas e táteis também ficam reduzidas.

Sistema Digestivo

Ocorre a redução da mobilidade e da capacidade de absorção do intestino. A mucosa oral atrofia e as papilas da língua diminuem. A redução da massa muscular da face e a perda de dentes contribuem para a dificuldade na mastigação. A disfagia, ou dificuldade para engolir, também é comum.

O idoso desenvolve com mais frequência estomatite e candidíase oral, decorrente de prejuízos no sistema gastrintestinal e imunológico. O estômago demora mais para esvaziar e a secreção gástrica também é reduzida em decorrência da senescência. Isso pode fazer com que alguns medicamentos sejam inativados ou tenham seus efeitos reduzidos.

O peso do pâncreas e a secreção de suas substâncias também se alteram, assim como a liberação da insulina. No intestino, as vilosidades reduzem, alterando a absorção dos alimentos. O esfíncter anal perde a força e a capacidade de reter as fezes, fato que explica a incontinência fecal em idosos com idade mais avançada.

Sistema Gênito-Urinário

O peso dos rins diminui com o avançar da idade. A capacidade de filtragem também fica reduzida e, com isso, a excreção de medicamentos fica prejudicada e o risco de insuficiência renal aumenta. A capacidade de armazenar a urina na bexiga também fica reduzida e isso influencia a frequência de casos de incontinência urinária em idosos.

A saúde sexual dos idosos também passa por algumas modificações. O tempo para o homem conseguir ter uma ereção aumenta e sua capacidade de mantê-la diminui. Na mulher, os tecidos da vagina e uretra atrofiam, comprometendo a sua capacidade de lubrificação. Além disso, ambos os sexos são afetados pela diminuição da libido.

Sistema Respiratório

Os pulmões dos idosos vão ficando com as paredes menos elásticas e o peso dos órgãos diminui. Brônquios e sacos alveolares ficam cada vez mais atrofiados e estreitos. Com isso, a capacidade ventilatória e o consumo de oxigênio aumenta para compensar essa dificuldade que o pulmão tem para funcionar.

Sistema Tegumentar

A pele fica cada vez mais ressecada, menos elástica e espessa. Há aumento do tempo para reepitelização, ou seja, a regeneração dos tecidos e a cicatrização dos ferimentos são mais demoradas. O tecido gorduroso, que está abaixo da pele, também fica reduzido, o que a torna mais flácida. As glândulas sudoríparas e sebáceas ficam menos numerosas, comprometendo ainda mais a capacidade de hidratação de pele.

Os pelos do corpo vão ficando cada vez mais escassos e rarefeitos em todos os locais e as unhas ficam com um aspecto opaco e frágil. Outras características do idoso:

  • A redução da sudorese dificulta a regulação da temperatura corporal;
  • Os reflexos para sede e fome diminuem;
  • O volume de água corporal e dentro das células diminui;
  • A estatura decai em média um centímetro após os 40 anos, pois os arcos dos pés reduzem e a coluna fica mais curva;
  • O diâmetro do tronco aumenta;
  • O pavilhão auditivo aumenta;
  • O tamanho do nariz aumenta.

Outras observações pertinentes ao processo de senescência e senilidade

  • Com o envelhecimento, músculos e ossos perdem massa, dificultando suas capacidades efetivas.
  • As alterações de atrofia cerebral repercutem nas capacidades de memória e atenção.
  • No processo de envelhecimento os pelos do corpo vão ficando cada vez mais escassos e rarefeitos em todos os locais e as unhas ficam com aspecto opaco e frágil.

A vida em um piscar de olhos

“Avida passa em um piscar de olhos”. Para os mais alertas, imediatamente pode vir uma pequena correção: A vida está passando em um piscar de olhos, claro, porque ainda esperamos viver muitos anos mais, com saúde e lucidez.

Precisa-se estar convencidos de que apenas atingimos um pouco mais da metade do caminho da vida. Ainda temos muitas conquistas, realizações, superações e momentos felizes para viver.

Mas é incontestável que estamos falando de uma verdade absoluta e contundente. Penso que atravessamos tantas etapas diferentes e eletrizantes de nossas vidas que, enfim, ao chegarmos à maturidade a imagem de tudo que vivemos passa em flashes rápidos como um filme em alta rotação. 

A exceção da infância que é, realmente, a fase mais rica em descobertas sobre nós mesmos e sobre tudo que nos rodeia, no decorrer da vida, quase que invariavelmente, ficamos pensando e vivendo no futuro:

Quando adolescentes estamos ansiosos para chegarmos aos 18 e depois aos 21 anos, quando jovens ansiamos pela formatura, pelo casamento, pelos filhos, por uma vida profissional que nos gratifique e, ao atingirmos tudo isso, passamos a dar importância ao progresso e ascensão no trabalho, em especializações que enriqueçam a carreira, na construção de um patrimônio que nos traga estabilidade e segurança e assim vai até a hora em que decidimos, por um motivo ou por outro, nos aposentar.

Penso que essa busca constante e ininterrupta pode ser um dos fatores que nos dá a impressão de que tudo se passou em segundos.

É gratificante e acima de tudo uma rica preparação para a maturidade, quando novamente podemos voltar à marcha lenta da infância, sem pressa, saboreando todos os momentos com a vivacidade, curiosidade e serenidade de uma criança.

E eis que enxergamos o imenso horizonte que se desdobra a nossa frente e as infinitas possibilidades de novas realizações, diferentes caminhos, convívios, aprendizados, tudo isso regado à agradável sensação de missões cumpridas, desejos satisfeitos, objetivos alcançados, não importando em que grandeza essas conquistas aconteceram.

Passamos por tudo e chegamos aqui, estamos vivos, saudáveis e isso é o que mais importa. Tempos, conhecimento, vivência e um mundo que nos espera para uma nova aventura, inclusive importantes missões como, por exemplo,a de se envolver com projetos relacionados às nossas riquezas naturais, como presente e legado aos nossos filhos e netos.

São tantas oportunidades que até me bloqueiam o pensamento para enumerá-las, mas imaginem que podemos escolher desde abraçar uma causa social e dedicar-se a ela, até recomeçar a estudar algo que gostaríamos e ainda não tivemos tempo nem oportunidade.

Tudo isso passando por viagens e passeios que ainda não fizemos, aprendizado ou desenvolvimento de habilidades artísticas, as delícias do envolvimento com os netos sem a preocupação que tivemos com os filhos. De fato, um universo de escolhas.

Hoje em especial deixo uma sugestão: quem já pensou nos benefícios e prazeres de uma horta em casa? Cuidar da terra, semear, ver crescer com viço o que plantamos, observar como a natureza é abundante, ter a satisfação de colher na hora o que queremos comer daqui a pouco não pode ser considerado um trabalho árduo e sim uma terapia das mais gratificantes.

Entretanto vejo nessa atividade um retorno ainda mais importante: além de poder contar com uma alimentação mais saudável estamos praticando a concentração, a atenção plena ao ato de limpar a terra, eliminar as ervas daninhas, verificar se há invasão de pragas, regar.

Não sei dizer se estamos tratando de uma atividade que agrada a todos, mas com certeza aquele que sentir inclinação para isso vai poder observar como o gosto pela terra e o que se pode obter dela é relaxante, edificante e enriquecedor, principalmente para o cérebro.

Como não gostar da fase que temos pela frente? Viva a maturidade e viva os nossos sessenta anos!! Estou engajada em um novo projeto e esse fato me motiva enormemente. Já consigo enxergar um horizonte de grande satisfação. Deixo aqui a promessa de compartilhar com todos, caso se concretize.

Camila Izabela de Oliveira
Camila Izabela de Oliveira
Formada em Enfermagem e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília (UnB), tem diversos cursos de especialização em atenção primária e gerontologia. O foco de seu trabalho é na qualidade dos cuidados paliativos e na formação de profissionais cuidadores. Criou um dos primeiros cursos de formação de cuidadores do Brasil com mais de 100 horas/aula, sendo destas mais de 40 ofertadas em estágio supervisionado ou aulas práticas. Também é enfermeira titular da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), onde desenvolve atividades de acompanhamento e suporte à famílias com crianças especiais.

1 Comment

  1. […] Os especialistas estabeleceram, então, uma correlação entre envelhecimento, perda da audição e aumento do risco de senilidade. […]

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