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Dentista para idosos

Dentista para idosos

Conheça mais sobre a importância da saúde bucal e dentista para idosos. A higiene bucal em idosos é o tema da postagem de hoje.

Encontrar um dentista especializado em idosos não é tarefa fácil. Além das particularidades relacionadas à idade, há a dificuldade em se levar o idoso ao consultório. Por isso, trouxemos um especialista para tratar o tema.

O Dr. Danilo Fialho é especialista na terceira idade e vai nos ajudar a entender as particularidade do trabalho de um dentista para idosos. Veja quais são os cuidados que devem ser tomados para evitar problemas com a saúde bucal do idoso.

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Protocolo de atendimento odontológico ao idoso

É fundamental determinar a capacidade física e emocional do paciente. A anamnese deve ser eficiente, para que possamos reconhecer as alterações sistêmicas e prevenirmos de complicações e sequelas.

Deve-se também avaliar qual o grau de autonomia e motilidade que o usuário apresenta. É prudente verificar se existe alguma condição sistêmica (acuidade visual, deficiência de memória) que dificulte a tomada de medicamentos. Nestes casos, a presença de algum familiar ou cuidador se faz necessária.

É importante avaliar quais são os medicamentos em uso e possíveis interações com os fármacos comumente utilizados em odontologia. Além disso, a maioria dos idosos tolera bem os procedimentos quando realizados pela manhã, exceção feita aos portadores de enfermidade pulmonar crônica. Optar por sessões breves e procedimentos não extensos.

Em relação aos procedimentos odontológicos, os cirúrgicos requerem maiores cuidados, devendo-se minimizar o trauma, manejar os tecidos delicadamente, utilizar técnicas hemostáticas eficientes para diminuir o sangramento. Além disso, deve-se considerar que alguns fármacos levam a xerostomia e podem influenciar o desenvolvimento de cáries e também da doença periodontal

Odontologia geriátrica

Complementando a seção Pergunte ao Especialista do Blogdocuidado, enviamos dúvidas de nossos leitores ao Dr. Danilo, que gentilmente respondeu cada uma das questões. Confira.

Dr. Danilo, quais os principais problemas da terceira idade relacionados à saúde bucal? Quais as principais diferenças observadas ao longo da vida, por exemplo, entre um adulto saudável, um idoso com mais de 60 anos e aqueles com mais de 80 anos?

Dr. Danilo: Algumas alterações podem ser vistas como alterações verdadeiras da idade, outras podem estar relacionadas a doenças ou serem a combinação de ambas. O conhecimento delas permite ao cirurgião dentista intervir promovendo saúde e consequentemente favorecendo uma longevidade mais saudável. 

O estado de saúde bucal do idoso transcende os limites biológicos. É composto por requisitos funcionais, estéticos, psicológicos e sociais. Têm como objetivo maior, a qualidade de vida.

Alterações na mucosa oral relacionadas à idade são semelhantes às que acontecem no resto do corpo, ocorre uma diminuição da funcionalidade, por exemplo as glândulas salivares começam a produzir menos saliva, perda de elasticidade os tecidos gengivais e consequentemente uma maior predisposição para o desenvolvimento de doenças bucais.

Qual a frequência recomendada para a visitas ao dentista após os 60, 70, 80 anos?

Dr. Danilo: O cuidado preventivo deve ser personalizado a cada caso, existem idosos que acompanho toda semana, outros de mês em mês e outros a cada 6 meses. Em média oriento uma visita ao dentista a cada 3 meses

Muitos idosos têm dificuldades em ir ao dentista em função de sua  mobilidade reduzida. Quais tratamentos já podem ser feitos em casa?

Dr. Danilo: Hoje Meu dentista em casa possui toda a estrutura necessária para o atendimento em casa e oferecemos a possibilidade de tratar em torno de 94% dos problemas odontológicos comuns a essa idade. 

Saúde da boca do idoso

Doenças preexistentes (diabete, problemas cardíacos, câncer) podem afetar a saúde da boca? Como isto ocorre e quais os principais sintomas?

Dr. Danilo: Sim, existem alterações bucais que são reflexo de doenças sistêmicas, por exemplo, na diabetes mellitus o paciente pode desenvolver feridas bucais (estomatites), estar mais predisposto ao desenvolvimento de infecções oportunistas como a Candidíase e sofrer uma diminuição na produção de salivação, levando a vários outros problemas.

Ao mesmo tempo, alterações bucais podem causar um prejuízo na saúde do paciente. Muitos estudos científicos já apontam infecções bucais como causa da endocardite e a pneumonia especialmente em pacientes idosos.

Isso ocorre porque na boca é um dos locais do corpo onde mais se abriga bactérias, são milhões delas e mais de 300 espécies diversificadas. Quando existem uma alteração bucal, pode haver um aumento no número de bactérias em especial as patogênicas que podem através da corrente circulatória sair da cavidade oral e ir parar no coração, pulmão ou qualquer outro órgão.

Quando se fala na alimentação de idosos, em linhas gerais, há alimentos (ou hábitos) que podem contribuir para uma melhora (ou piora) na saúde bucal? Existem orientações específicas no consumo destes?

Dr. Danilo: Na minha área de atuação entendo que não há motivos de restrição de alimentação, claro que para cada idoso deve se haver uma dieta que será orientada pelo Nutricionista ou Médico.

Alimentos a base de sacarose (açúcar) são mais cariogênicos, ou seja, podem auxiliar no aparecimento do cárie, mas todos os problemas odontológicos poderão ser evitados se a cada refeição é imposto uma rotina adequada de higiene bucal.

O problema não está na alimentação e sim na falta de higienização após cada refeição

Muitos idosos reclamam de mau hálito crônico (halitose). Poderia falar das principais causas e seus tratamentos?

Dr. Danilo: A halitose é uma doença multifatorial, ou seja, pode estar envolvida com um ou mais fatores. Alterações bucais, problemas gastroesofágicos, saburra lingual (camada branca que se acumula principalmente próxima à garganta), presença de tártaro e placa bacteriana, próteses mal higienizada, certos tipos de dieta e até mesmo algumas doenças como a insuficiência renal e diabetes podem levar a mal hálito.

O tratamento visa a identificação da causa, então a primeira medida é procurar um dentista que seja especialista na área. Se o problema é saburra lingual deverá ser instituído um cuidado diário da higienização da língua, se está ligado a doenças sistêmicas como a insuficiência renal deverá ser realizada uma avaliação médica e um acompanhamento do problema, se o problema é nutricional poderá ser realizada mudança na dieta e seguindo o mesmo raciocínio para os demais problemas

A halitose normalmente é um sintoma ligado a um problema, então devemos focar na identificação deste

Há idosos que se queixam de uma sensação de “gosto amargo” persistente na boca. Há algum problema relacionado à saúde bucal que possa ocasionar isso?

Dr. Danilo: Sim vários, essa sensação pode estar ligada a infecções bucais presentes, alterações salivares ou até mesmo presença de tártaro e placa bacteriana associada a uma higiene bucal deficiente. Algumas medicações e alterações no quadro de saúde podem levar a esses problemas também

Sensibilidade no dente do idoso

A sensibilidade nos dentes tende a aumentar com a idade para muitas pessoas. Além do uso de cremes dentais específicos, quais hábitos devem ser observados para controlar ou contornar o problema?

Dr. Danilo: Primeiramente é importante uma avaliação para identificação da causa dessa sensibilidade, pode não ser uma situação fisiológica. Por exemplo lesões iniciais de cárie ou a doença periodontal ou até mesmo dietas ricas em frutas cítricas podem levar a sensibilidade.

Então acredito que o melhor hábito seja a visita regular ao dentista para uma avaliação e um direcionamento sobre as melhores opções de tratamento, existem desde tratamentos cirúrgicos até medidas paliativas e cada caso deve ser estudado de maneira personalizada

Xerostomia no idoso

Um baixo consumo de água está relacionado a vários problemas na terceira idade, inclusive a sensação de boca seca persistente (xerostomia). Pode comentar como é possível controlar ou contornar o problema? Há outras consequências, para a saúde da boca, da baixa ingestão de líquidos?

Dr. Danilo: A melhor forma de controlar o problema é melhorando a ingestão de água. Devemos ingerir ao longo do dia pelo menos 1 litro e ½ de água. A desidratação poderá levar a problemas como diminuição na saliva, gengivite, cárie e mau hálito

5 doenças buscais comum em idosos

Familiares e cuidadores podem ajudar a diminuir a incidência ou gravidade dos problemas bucais se prestarem atenção aos sinais mais comuns na boca do idoso.

  • Lesão da mucosa bucal: qualquer lesão visível é relevante e deve ser reportada ao dentista imediatamente.
  • Câncer de boca: vale a mesma recomendação.
  • Gengivite: identificada por sangramento e inflamações na gengiva, também exige acompanhamento do dentista para idosos.
  • Cáries: mesmo se não houver dor, as manchas ou lesões de cárie precisam de avaliação odontológica.
  • Xerostomia

Escovação do idoso

Qual a frequência adequada para a escovação em idosos com dentes hígidos (saudáveis)? E para aqueles com implantes, pontes móveis ou dentaduras?

Dr. Danilo: A escovação em idosos, assim como em qualquer outra faixa etária, deve ser realizada antes e depois de cada uma das refeições. 

A cada refeição nossa boca se enche de matéria orgânica que servirá como fonte de nutriente para as bactérias que formarão o biofilme dentário ou placa bacteriana, se não houver essa higienização haverá o aumento da formação dessa placa bacteriana que dará o início a alterações bucais como a gengivite e a cárie

Dica sobre o cuidado da saúde bucal do idoso

Dr. Danilo: A minha dica é de que não negligencie o cuidado bucal do idoso, tenho experiência com atendimento a idosos e o que vejo em minha rotina de atendimentos é que esse cuidado não é priorizado.

Muitos se encontram com problemas bucais, dor e com piora do quadro de saúde pelo simples motivo da falta do cuidado bucal e quase sempre problemas simples de serem contornados
Se existe a dificuldade de ir até o dentista, saibam que hoje existem empresas que prestam o serviço a domicílio

Recomendações de uso e cuidado com a prótese

O Dr. Danilo recomenda atenção especial às próteses, também conhecidas como dentaduras.

COMO USAR: Deve ser removida a noite ao dormir. Caso esteja incomodando ou pressionando em algum local da boca, evite mastigar sobre o local que esteja machucando e nos comunique o mais rápido possível.

Recomenda-se o uso de produtos fixadores (por exemplo, o COREGA) nos casos em que o paciente possui pouca estrutura óssea e gengival para deixar a prótese firme e estável na boca. 

COMO CUIDAR: Após as refeições remover a prótese para a higienização da mucosa bucal (gengivas, “céu da boca” e língua) com uma escova de dente macia e dentifrícios de sua preferência. A limpeza destes locais remove acúmulos de placa bacteriana e resto alimentares, além de estimular a circulação.

Para higienizar a prótese basta lavá-la com água corrente e realizar a escovação da prótese com escovas apropriadas ou mesmo com uma escova de dente e sabão neutro (evitar produtos corrosivos como desinfetantes).

A pasta dental usada na escovação de dentes deve ser evitada na higienização de próteses por ser abrasiva, por tirar o brilho e até mesmo danificá-las.

Durante a noite deve se deixar as próteses em água filtrada em um copo de água ou em solução de limpeza que pode ser obtida através de mistura de uma colher de café de ÁGUA SANITÁRIA em um copo de 300ml de água ou produtos específicos como COREGA TABS.

Pela manhã retirar a prótese desta solução desinfetante e escová-la em água corrente.  

OBSERVAÇÕES: Infecções causadas por fungos são comuns em pacientes que não tem o hábito de remover as próteses ao dormir.

Higienização da prótese

Rotina de Higienização Bucal: A Higienização deve ser realizada no mínimo 3 x ao dia (manhã, tarde e noite) em pacientes que não se alimentam pela boca ou após cada refeição nos demais pacientes.

Dentista para idosos
Dentista para idosos

:: Primeira Etapa: Remover prótese removível no caso dos pacientes que fazem o uso da mesma.

:: Segunda Etapa: Umedecer a gaze em solução de bochecho fluoretada ou água filtrada removendo o resíduo alimentar e esfregando contra todos os dentes, língua, gengiva e Interior das bochechas (Ex. Colgate plax ou Listerine).

:: Terceira Etapa: Realização da Escovação com escova dental realizando movimento de vai e vem quando o paciente estiver com a boca aberta e movimentos circulares quando o paciente estiver com a boca fechada. Recomendamos o uso da escova elétrica que facilita a correta movimentação para higienização

:: Quarta Etapa: Realizar a higienização com escova interdental (entre os dentes) no mínimo 1 x por dia. Pode ser utilizado o fio dental ou a escova interdental.

:: Quinta Etapa: Remover o resíduo da pasta dental com gaze umedecida

:: Sexta Etapa: Lubrificação dos lábios que pode ser realizada com pomada Bepantol ou manteiga de cacau.

O cuidado bucal nessa época de pandemia que estamos vivendo também é importante, para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

Pergunte ao especialista: Médicos, dentistas, professores e outros profissionais, falam sobre temas relacionados ao idoso, clique aqui para ler.

Mais informações gratuitas e relevantes para familiares e cuidadores: conheça a Associação Brasileira dos Empregadores de Cuidadores de Idosos, clique aqui.

Para os interessados, os contatos do Dr. Danilo seguem abaixo.

Danilo de Oliveira Fialho, telefone (61)992099952 , e-mail (clique para enviar)

Endereço eletrônico (site): www.meudentistaemcasa.com.br

OUTRAS FORMAS DE ENCONTRÁ-LO:

Facebook: meudentistaemcasa

Instagram: @meudentistaemcasa

Editorial Acvida
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O Editorial da Acvida Cuidadores é feito por nossa equipe de conteúdo, que inclui especialistas em cuidados paliativos, em administração de equipes de cuidadores e jornalistas. Seu objetivo é trazer informações relevantes a todos os envolvidos no trato das pessoas incapacitadas de realizar o autocuidado. Reuniremos artigos médicos e científicos, publicações jornalísticas relevantes, recomendações e entrevistas com especialistas, relatos de pessoas que passaram pela experiência de cuidar de um ente querido, enfim, tudo o que possa ajudar nossos leitores a trazer qualidade de vida para idosos, familiares e cuidadores.

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