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Atividades do cuidador de idosos

Atividades do cuidador de idosos

Nas atividades do cuidador de idosos incluem-se, dentre outras, a transferência, a mudança de decúbito e outras que exigem força e perícia. Ao planejar atividades para cuidadores de idosos, fique atento para estes pontos.

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Tarefas e atividades do cuidador de idosos

O desempenho de algumas tarefas de cuidados exige um preparo físico da parte do profissional pois atividades que demandam carga física devem ser executadas com segurança para evitar lesões tanto para o cuidador quanto ao assistido. Algumas características precisam ser levadas em conta ao ajustar o perfil do cuidador às demandas do assistido, como:

  • O peso do assistido;
  • O biotipo físico do cuidador;
  • A experiência técnica do cuidador;
  • Os equipamentos disponíveis;
  • A disponibilidade de ajuda de outra pessoa.

O peso do assistido pode limitar a capacidade de execução do cuidador. Mesmo um cuidador forte e experiente pode prejudicar sua saúde na prática de transferências, que é feita diversas vezes, por esse motivo o preparo físico é essencial.

Transferência do leito para a cadeira de rodas

O mais seguro para o cuidador é sempre concentrar a carga nas pernas, manter a coluna ereta e o abdômen contraído. Passos para transferir uma pessoa acamada para a cadeira de rodas:

  1. O primeiro passo é sentá-la na cama, ainda com as grades elevadas;
  2. Deixe a cadeira de rodas ou banho posicionada ao lado do leito com as rodas travadas;
  3. Vire o corpo e as pernas do assistido de modo que ele fique sentado na cama e de frente para o cuidador;
  4. Segure o assistido com os braços por baixo das suas axilas, abraçando as suas costas;
  5. Posicione as pernas do assistido com os joelhos flexionados entre as pernas do profissional;
  6. Faça o movimento de levantar concentrando a força nas pernas e movimente o assistido lateralmente, como se os dois fossem um corpo só;
  7. Acomode o assistido na cadeira de rodas e posicione seus membros superiores nos braços da cadeira e os pés nos pedais inferiores;
  8. Alguns assistidos com perda de controle de tronco também necessitam ser presos por um cinto de segurança para evitar que o corpo caia para frente ou fique pendente nas laterais do assento da cadeira.

Equipamentos hospitalares podem facilitar o trabalho do cuidador para reduzir a carga do profissional e facilitar a transferência em segurança. Dispositivos como pranchas de transferência, leitos que regulam a altura e guinchos que realizam todo o transporte são exemplos.

Porém, alguns destes equipamentos têm o custo muito alto e não são muito acessíveis, então cabe ao cuidador realizar a transferência. No caso de dificuldade, recomenda-se ajuda de outra pessoa no momento da transferência.

Alternativas para melhorar o trabalho do profissional cuidador e reduzir o risco de lesões

  • Realizar os cuidados que demandem transferências no momento da troca de turnos, para que o profissional que está encerrando seu horário de trabalho ajude o outro que está chegando, como no caso do banho diário;
  • Programar as tarefas que exijam transferências em horários oportunos e que seja possível contar com o apoio de algum familiar ou outro funcionário da residência;
  • Usar sempre os equipamentos disponíveis para ajudar nas transferências;
  • Pedir orientação de um profissional para avaliar a maneira mais fácil de executar as transferências para prevenir os riscos à saúde do cuidador e do assistido.

Nunca execute uma transferência sem ter certeza se é possível. Pode haver risco de queda do assistido e lesão corporal por parte do cuidador.

Mobilidade 

Manter a mobilidade corporal, mesmo que aos poucos, é um cuidado importante para preservar a amplitude dos movimentos e evitar rigidez nos membros.

O grau de limitação para movimentos varia de acordo com a condição de saúde e a fase de determinadas doenças incapacitantes. Quando o assistido ainda encontra-se com os movimentos preservados, a prática de uma atividade física é recomendada para trabalhar os músculos e não deixá-los atrofiar.

A medida que o idoso vai ficando restrito à cadeira de rodas e, logo depois, ao leito, os movimentos dos membros devem ser realizados de forma passiva para que não hajam danos maiores. Manter um alinhamento corporal no leito também é importante para evitar contraturas e queda plantar.

A tendência é que o corpo evolua para a posição fetal, com seus membros todos flexionados e rígidos e as mãos fechadas. Praticar exercícios passivos de extensão, flexão, abdução e adução dos membros de forma contínua ajuda a reduzir as contraturas e, consequentemente, melhora as condições dos cuidados. Colocar algum objeto nas mãos do assistido evita que elas fiquem fechadas e manter o alinhamento dos pés evita a queda plantar.

É importante lembrar que

  • Mesmo a uma situação de emergência, o cuidador não deve executar a transferência do assistido da cama para cadeira de rodas sem ajuda caso que não tenha segurança.
  • Caso o assistido consiga caminhar, é sempre bom deixá-lo andar e se exercitar.
  • O cuidador não deve realizar exercícios passivos nos membros do assistido com força, em especial em caso de dor e resistência.
  • Movimentos que causam dor e desconforto devem ser executados por profissionais habilitados ou sempre orientados por estes (fisioterapeutas).
Camila Izabela de Oliveira
Camila Izabela de Oliveira
Formada em Enfermagem e Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília (UnB), tem diversos cursos de especialização em atenção primária e gerontologia. O foco de seu trabalho é na qualidade dos cuidados paliativos e na formação de profissionais cuidadores. Criou um dos primeiros cursos de formação de cuidadores do Brasil com mais de 100 horas/aula, sendo destas mais de 40 ofertadas em estágio supervisionado ou aulas práticas. Também é enfermeira titular da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), onde desenvolve atividades de acompanhamento e suporte à famílias com crianças especiais.

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