Cuidados com idosos
Cuidados com idosos
21 de maio de 2020
Atividades de vida diária
Atividades de vida diária
25 de maio de 2020
Exibir tudo

Mudança de decúbito

Mudança de decúbito

A Mudança de decúbito é um dos cuidados ao idoso acamado que deve ser feito com atenção, em especial quando o idoso é dependente. É fundamental para prevenção de úlceras de pressão e, aliado a outras práticas, contribui para a qualidade de vida dos assistidos com redução da mobilidade.

Neste post iremos falar também sobre os outros cuidados essenciais que devem ser tomados com idosos acamados:

  • Banho no leito
  • Troca de fraldas
  • Cuidados com a pele
  • Higiene oral
  • Alimentação
  • Sinais vitais
  • Mudanças de decúbito
  • Transferência
  • Transporte
  • Higiene do ambiente e equipamento
  • Cuidados com a aparência do idoso

Leia também:

Saúde do idoso: pergunte ao especialista

Sobre exercícios para idosos

5 hábitos essenciais para manter os idosos saudáveis

Andadores para idosos, diferenças e características

Cuidados com idosos acamados

Banho no leito

Algumas situações causam a restrição total de movimento do assistido, dificultando as atividades de higiene e mobilidade. Nesse caso, o próprio leito pode ser o local onde acontecerá todo o processo de higiene do corpo. Abaixo seguem os passos da higiene no leito:

  • É preciso testar a temperatura da água antes de molhar o assistido. É indicado o uso de luvas de procedimento pelo cuidador;
  • Molhar os cabelos do assistido, passar xampu, esfregar bem os fios e o couro cabeludo.
  • Evitar que a espuma atinja os olhos, mas, caso aconteça, enxaguar abundantemente com água. Repetir o uso de xampu conforme a necessidade;
  • Usar condicionador nos fios, caso seja um hábito do assistido, e enxaguar com água até retirar todo o excesso;
  • Lavar o rosto do assistido com sabonete, evitando contato com os olhos, e enxaguar;
  • Lavar as orelhas e enxaguá-las, evitando a entrada de água nos ouvidos;
  • Passar sabonete no pescoço, no tronco, membros superiores e axilas. Aproveite esse momento para massagear os ombros e costas e avaliar a integridade da pele;
  • Lavar a região genital com sabonete evitando o excesso para não causar irritações. Em homens: retrair o prepúcio do pênis para efetuar a limpeza. Observar a presença de feridas ou secreções anormais. Em mulheres: afastar os grandes lábios e lavar entre eles e os pequenos lábios com sabonete. Observe a presença de secreções e irritações fora do padrão de normalidade. Enxaguar com água em abundância;
  • Lavar a região anal com água e sabonete, retirar todos os resíduos de fezes e enxaguar bem;
  • Lavar as pernas e pés. Lavar bem entre os dedos e observar a presença de fungos ou feridas;
  • Enxaguar bem todo o corpo para eliminar todos os resíduos de sabonete;
  • Enxugar bem os cabelos e todo o corpo, especialmente nas dobras e entre os dedos (virilhas e axilas).

Troca de fraldas

É um cuidado realizado com frequência em acamados. Deve ser executado com bastante capricho para evitar ou combater assaduras e outras complicações associadas. O ideal é trocar a fralda sempre que estiver molhada ou com fezes.

Nunca deixar uma fralda armazenar urina demais durante um período, pois a pele pode sofrer com o contato prolongado e desenvolver assaduras, também chamadas de dermatite de fraldas ou amoniacal.

As fezes também irritam a pele e podem piorar as condições de assaduras iniciais por facilitar a infecção local. A cada troca da fralda, deve-se realizar a higiene genital.

O ideal é utilizar água e sabão para a limpeza, secando-se suavemente o local com uma toalha limpa e macia. O uso de lenços umedecidos, gazes, compressas e algodões para limpeza podem ser usados em algumas circunstâncias, desde que sem muita frequência.

A técnica para a higiene é muito importante para a eficiência da limpeza e para a prevenção e infecções por contaminação fecal. Cada vez que o lenço ou equivalente for passado na pele para remover os restos de urina e fezes, deve-se trocar a face do lenço, em movimentos unidirecionais, ou seja, apenas do sentido genitália para o ânus e nunca o contrário.

Em caso de haver contato com fezes ou urina, também é prudente que as roupas de cama e do assistido sejam trocadas nesse momento.

O colchão deve ser higienizado, por isso é fundamental que o assistido tenha um de material impermeável para facilitar a limpeza. Não há nada mais desagradável do que o odor de urina, que fica impregnado no quarto, colchão e roupas de cama do assistido.

Cuidados com a pele do idoso

A pele do idoso deve ser avaliada diariamente, de preferência no momento do banho. Alterações de cor, textura, lesões, manchas e hematomas que forem identificados devem ser levados ao conhecimento da família e/ou dos profissionais que assistem o idoso.

A hidratação da pele é uma atividade que deve ser realizada usualmente após o banho ou higiene. Uma pele ressecada pode causar prurido, descamação e até irritações que podem evoluir para dermatites.

A desidratação corporal pode dar sinais de ressecamento na pele do idoso, por isso é muito importante manter um bom nível de ingestão de líquidos para garantir uma boa hidratação da pele e dos cabelos.

Cuidados com a aparência

Mesmo assistidos acamados e totalmente dependentes devem ter boa aparência. Seus antigos hábitos e costumes relativos à apresentação pessoal devem ser conservados considerando as possibilidades.

Não é porque o idoso está acamado e em quadro demencial avançado que sua apresentação pessoal deve ser deixada de lado. O idoso nesse estágio continua sendo uma pessoa com direitos e sua dignidade deve ser preservada.

Higiene oral

Algumas pessoas subestimam a saúde bucal de idosos acamados, principalmente quando se usa sonda gástrica para alimentação e quando o idoso não conserva todos os dentes. A higiene oral não se refere apenas aos dentes, mas à cavidade bucal por completo. Mesmo que a alimentação seja pastosa e não se use mais próteses orais, a boca deve ser higienizada.

O cuidado é semelhante à higiene oral de um bebê, com uso de gaze umedecida para limpar toda a cavidade oral, gengivas e língua. Em alguns idosos também se pode usar enxaguantes bucais para umedecer a gaze.

Deve-se sempre observar se há lesões na boca e informar a família ou profissionais de saúde sobre alterações como feridas, gengivites, estomatites (aftas), candidíase (placas brancas) ou tumorações (caroços), pois para cada tipo de lesão há um cuidado específico.

Higiene do ambiente e equipamentos

É importante que o ambiente que o idoso habita e os aparelhos que entram em contato com ele sejam higienizados frequentemente. Locais e equipamentos podem ser veículos de contaminação, favorecendo o desenvolvimento de infecções.

Portanto, o banheiro que o idoso utiliza, seu quarto e seu leito devem estar livres de poeira, umidade, mofos e odores de excreções corporais, como fezes, urina e suor. Ambiente e leitos limpos contribuem para a saúde e o bem estar de idosos, principalmente daqueles restritos ao leito.

Equipamentos como cadeiras de rodas e banho, compadres/comadres, colchões, termômetros, aparelhos para medir a pressão arterial, bandejas, andadores e bengalas devem ser higienizados com solução de álcool 70% periodicamente, sempre que forem usados (antes e depois) ou quando apresentarem sujidade aparente.

Alimentação do idoso

Alimentação pastosa

É frequentemente indicada a idosos com problemas para engolir (disfagias) e mastigar. Geralmente são orientadas e prescritas por médicos ou nutricionistas, mas preparados e processados por familiares, funcionários domésticos ou cuidadores.

A orientação do profissional que orienta a indicação da dieta é muito importante, pois alguns alimentos devem ser amassados, batidos ou peneirados antes de serem servidos ao assistido.

  • Alimentação líquida é frequentemente indicada a idosos com problemas para engolir e mastigar.

Alimentação via sonda

Geralmente, a dieta indicada para ser infundida via sonda gástrica (nasogástrica, nasoenteral ou gastrostomia) é industrializada, mas a nutricionista também pode orientar o seu preparo caseiro.

O cuidado na higiene, tanto do preparo como da manipulação e administração da dieta, é importantíssimo para evitar contaminações e infecções via alimentar. A higiene das mãos antes do preparo e administração dos alimentos também é fundamental.

Administração de medicamentos: quando a capacidade para engolir está comprometida, a administração medicamentosa para o idoso é dificultada.

Muitos familiares e cuidadores optam por colocar o medicamento misturado nas refeições como estratégia para garantir que ele seja ingerido, ou por vezes amassam o comprimido ou drágea para diluir em água ou suco. Essas alternativas não trazem prejuízos desde que o medicamento não sofra interferências dos processos de diluição e mistura.

Alguns medicamentos têm seus efeitos alterados quando são administrados concomitantemente com alimentos.

Além disso, quando têm suas camadas externas violadas (cápsulas, drágeas), podem sofrer inativação por parte das secreções gástricas, por exemplo. Todo medicamento deve ser prescrito pelo médico, que também deve orientar os horários, as formas de administração e as interações medicamentosas importantes.

Sinais vitais

São parâmetros que auxiliam o julgamento sobre as condições do estado atual do idoso. Indicam mudanças importantes no quadro e constatam os estados de vida, morte e outras alterações orgânicas que podem indicar problemas sérios.

A pressão arterial é a força que o sangue exerce na parede das artérias quando circula. É uma medida importante a ser mensurada em idosos para controle preventivo e tratamento.

Uma pressão arterial adequada num adulto deve estar na faixa de 120 por 70 ou 12×7.

Entretanto, esses valores não constituem uma regra, já que pessoas podem ser normotensas, ou seja, ter uma pressão normal para as suas funções orgânicas com parâmetros mais baixos ou com controle regular medicamentoso, apresentar medidas maiores.

O Ministério da Saúde considera uma pressão arterial de até 139 X 79 mmHg como limítrofe, ou seja, ainda não passível de tratamento medicamentoso.

Os aparelhos devem estar seguros para uma aferição verídica, tanto em dispositivos digitais como manuais. Os aparelhos manuais (esfigmomanômetro) devem ser calibrados regularmente para uma aferição confiável e aparelhos digitais devem estar com baterias e pilhas carregadas.

A indicação da regularidade do controle da pressão arterial é indicada pelo médico ou outros profissionais de saúde que acompanham o idoso e as medidas devem ser sempre registradas com as suas datas e horários correspondentes.

A temperatura é outro sinal vital importante, pois indica febre ou hipotermia. Febre é sinal de infecção, mas muitas vezes o idoso não chega a apresentar essa alteração de temperatura em algumas infecções, como urinária ou respiratória.

Por isso, seu cuidador deve estar atento a outros sinais, como apatia, inapetência, cansaço, sonolência, alterações na urina (em caso de infecção urinária) e alterações respiratórias (para infecções de via aéreas).

Temperaturas muito baixas podem indicar perda de calor por exposição ao frio ou consequências de traumas (hemorragia e choque).

Nessas condições, mãos e pés podem apresentar-se frios e há manifestação de tremores como tentativa do organismo de reduzir a perda de calor. Uma temperatura considerada normal está entre 36,5o e 37o.

As frequências cardíaca e respiratória são usualmente medidas durante internações ou conforme recomendação médica em casos específicos. Para medir a frequência cardíaca, é necessário palpar o punho na direção do dedo polegar até perceber a pulsação, contando o pulso durante um minuto marcado no relógio.

A frequência cardíaca normal de um adulto em repouso está na faixa de 60 a 100 batimentos por minuto. A frequência respiratória é medida contando-se os movimentos respiratórios durante um minuto, com o movimento do abdômen e expansão do tórax no movimento de inspiração.

Num adulto, a frequência respiratória padrão está entre 16 e 20 insuflações por minuto.

Mudança de decúbito

É a mudança da posição do corpo para evitar pressão prolongada na face que fica contra a superfície do leito.

A redução da circulação na região causa a morte do tecido, manifestada em ulcerações, que chamamos de úlceras de pressão ou escaras. O melhor é prevenir o aparecimento de escaras, pois o idoso acamado tem a cicatrização mais lenta e a lesão poder ser porta de entrada para infecções.

As escaras se desenvolvem com mais frequência em locais onde há proeminências ósseas, ou seja, onde alguns ossos são mais aparentes ou palpáveis, como a região sacral (nas costas, acima dos glúteos) e a escapular, os calcanhares, os maléolos (ossinhos internos e externos dos tornozelos), o quadril e as laterais dos joelhos e cotovelos.

Para prevenir escaras, deve-se realizar a mudança de decúbito regular, ou seja, mudar a posição no leito a cada duas horas ou menos, conforme indicação profissional. Proteger essas proeminências ósseas com coxins também ajuda a evitar a pressão nos locais mais propícios a escaras.

Todos esses cuidados aliados a níveis de nutrição e hidratação adequados reduzem consideravelmente a chance de aparecimento do problema.

Transferência do idoso

É a transposição do corpo do assistido do leito ou outro assento para a cadeira (banho ou rodas) ou vice versa.

É um cuidado que exige capacidade física e técnica para ser executado. Um cuidador inexperiente ou inseguro jamais deve tentar transferir um idoso acamado, pois há grande risco de queda e lesões tanto para o assistido como para quem o transfere. A sequência a seguir descreve os passos para a transferência de acamados:

  1. Certifique-se que o idoso esteja vestido e sem numa peça do vestuário solta ou que possa se prender no leito ou se enrolar na cadeira durante a transferência;
  2. Posicione a cadeira de rodas travada o mais próximo possível ao lado do leito;
  3. Eleve o leito do assistido até sentá-lo ou execute o movimento de modo que ele fique com as pernas para fora da cama;
  4. Posicione os seus pés e joelhos encostados frente a frente com os do assistido;
  5. Envolva os braços por trás do idoso, abraçando-o com firmeza;
  6. Execute o movimento para levantá-lo, concentrando a força nas pernas;
  7. Acomode o idoso na cadeira e posicione seu tronco ereto, seus membros inferiores nos pedais e superiores nos braços da cadeira. Se o idoso não apresentar controle do tronco na cadeira, pode ser necessário usar um cinto para firmá-lo no assento.
  • Um cuidador inexperiente ou inseguro jamais deve tentar transferir um idoso acamado por haver grande risco de queda e lesões tanto para o assistido como para quem o transfere.

Transporte

É o deslocamento do idoso para pequenas e grandes distâncias, onde será necessário o uso de meio de transporte ou locomoção. A cadeira de rodas pode ser utilizada para transporte do assistido em pequenas distâncias, como trânsito, dentro da residência, passeios e em dependências hospitalares.

Alguns meios de transporte possuem capacidade para acomodar o assistido assentado na cadeira de rodas. Geralmente, os automóveis de passeio comportam o assistido acomodado diretamente no assento e, para isso, será necessário executar a transferência do idoso.

Banho de sol do idoso

O sol é importante para ajudar o organismo na produção de vitamina D, que ajuda a fixar o cálcio nos ossos e manter os níveis de concentração no sangue. Para isso, é importante que se exponha o corpo a luz solar diariamente por 20 minutos. A pele deve estar descoberta o máximo possível.

É necessário um local privativo e sem muita corrente de ar para proporcionar esse benefício ao idoso. O leito do idoso também pode ser posicionado próximo à janela do quarto, expondo seu corpo aos raios solares uma vez ao dia. Essa medida, quando possível, é mais confortável e evita a exposição do idoso.

Atenção a sinais e sintomas do idoso

Assistidos acamados e comumente em fase de demência avançada não apresentam alguns sinais característicos de agravos ou não são capazes de manifestar o que sentem.

Indícios de dor, desconforto, febre, falta de ar, cansaço, apatia, desânimo, agitação, irritabilidade, agressividade, insônia e sonolência são características subjetivas, mas podem ser percebidas pelo cuidador ou familiar.

As alterações que são visíveis ou facilmente identificadas, como lesões, sudorese excessiva, constipação ou diarreia, alterações na cor da urina, hemorragias e tumorações aparentes são evidências mais claras de alterações que os cuidadores podem notificar à família e aos profissionais de saúde para que tomem as providências cabíveis.

  • Todo medicamento deve ser prescrito pelo médico, que também deve orientar os horários, as formas de administração e as interações medicamentosas importantes.
Editorial Acvida
Editorial Acvida
O Editorial da Acvida Cuidadores é feito por nossa equipe de conteúdo, que inclui especialistas em cuidados paliativos, em administração de equipes de cuidadores e jornalistas. Seu objetivo é trazer informações relevantes a todos os envolvidos no trato das pessoas incapacitadas de realizar o autocuidado. Reuniremos artigos médicos e científicos, publicações jornalísticas relevantes, recomendações e entrevistas com especialistas, relatos de pessoas que passaram pela experiência de cuidar de um ente querido, enfim, tudo o que possa ajudar nossos leitores a trazer qualidade de vida para idosos, familiares e cuidadores.

2 Comments

  1. Adirlene Ramos Martins disse:

    Sou estudante do técnico em enfermagem e no momento estou procurando emprego na área de cuidadora com isso estou estudando bastante sobre o assunto e achei ótima esta página, muito bem explicada e com muito conteúdo .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preciso de um Cuidador